Orgulho, o arquiinimigo do perdão

janeiro 17, 2008

perdao.jpgQuem já não – ao ser tomado pelo ímpeto e na certeza de estar fazendo a coisa certa – feriu aquela pessoa  com quem se convive? Seja numa resposta “atravessada” ou numa atitude grosseira contribuímos de alguma forma com a divisão ou o isolamento das amizades. Passado algum tempo, já com a “cabeça fria”, percebemos que procedemos de maneira equivocada – ferindo pessoas ou até mesmo nos ferindo.
Refletir sobre o nosso ato nos ajuda a perceber o momento em que agimos precipitadamente; e dessa reflexão vem o remorso, o qual nos prepara para o pedido de desculpas.

Reconhecer que fomos precipitados nos argumentos, significa, muitas vezes, humilhar-se e se fazer pequeno, reconhecer que errou. Perdoar ou liberar perdão não é ter “amnésia” sobre o ocorrido, mas sim, disponibilizar-se a restabelecer o relacionamento abalado.

Do remorso ao perdão há uma pequena distância, mas o espaço é grande o bastante para residir o orgulho. Sentimento este que nos tentará convencer de que o ato de se desculpar ou reconhecer seu erro é atitude dos fracos.

Por outro lado, infelizmente, há pessoas que não aceitam as nossas desculpas. Preferem romper com os laços afetivos em vez de crescer e amadurecer por meio dos exercícios apresentados pela vida. Insistem em manter a irredutibilidade e a prepotência, que pensam possuir, em vez de dar o passo que romperá com as cadeias que as prendem. Talvez querendo cumprir a lei do “olho por olho, dente  por dente”, esperam por um momento de revanche. Enquanto isso, desperdiçam tempo e amargam seus dias, remoendo o que já está resolvido para aquele que se dispôs a se desculpar.

A vida é muito curta para se gastar o precioso tempo com comportamentos que não trazem a sustentabilidade de nossas convivências. Pedir  ou conceder perdão não nos exige mais do que podemos agüentar. Sabemos de pessoas que gastam muito tempo buscando motivos para justificar suas infelizes atitudes, fazendo-se de injustiçadas, em vez de adotar gestos de humildade e agir de maneira diferente. Na verdade, elas são vítimas do orgulho, que mata pessoas e sentimentos!

Mais importante – do que lembrar que não devemos desculpar – seria fazer uso da faculdade de reflexão e reconhecer que ninguém está acima dos lapsos e erros. Pois aquele, que errou hoje, poderá ser você amanhã…

Não percamos tempo monopolizando picuinhas, ressentimentos ou retendo perdão. Se uma situação especial o faz refletir – levando-o ao ato da reconciliação –, peça ou dê o perdão e continue a viver com a experiência adquirida.
Situações mal resolvidas afetam outras áreas de nossa vida. Talvez por isso existam ainda alguns problemas não “equacionados” em nossas vidas pois, esses, são reflexos dos fragmentos dos “elos” que deixamos se perder ao longo do caminho.

Um abraço

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O que aprendemos com a morte?

novembro 1, 2007

7371txt.jpgNo dia 02 de novembro lembramos daqueles que passaram por nossa vida, mas já não estão entre nós. Muitas pessoas aproveitarão esta data para elevar suas preces ao céu em homenagem às almas que morreram na esperança da vida eterna. Outros se emocionarão ao visitar o túmulo de seus parentes e amigos. De um modo ou de outro, será a maneira de recordar a importância de alguém em nossa vida.

Falar sobre a morte, aquela que estabelece o fim da vida biológica de alguém, sempre nos faz querer mudar de assunto. Para o moribundo, ainda que ele estivesse a espera da morte, será sempre uma surpresa sua chegada, assim como para os entes queridos.
Sorrateiramente, a morte inocula a saudade naqueles que conviviam com a pessoa amada, deixando apenas a imagem imortalizada através das lembranças e fotografias.

Sabemos que, algum dia, todos nós estaremos vivendo a mesma experiência que a cada instante se repete em algum lugar do mundo. Sepultar alguém nos obriga a depositar no seio da terra um pedaço daquilo que fez parte da nossa história e que, de maneira especial, ocupou um espaço em nosso coração. Esta inevitável experiência faz-nos refletir sobre tudo o que estamos vivendo e como estamos conduzindo nossos relacionamentos com os que estão ao nosso lado.

A sensação de perda atinge tanto aqueles que viveram apaixonados como os que, por muitos motivos, deixaram o orgulho ou a insensatez levantar “paredes” entre os seus relacionamentos. Devido às frustrações ou no rigor de seus conceitos, preferiram deixar de lado o desejo de se adaptar ao processo de convivência, separando-se do convívio. Com as experiências partilhadas e a participação do outro em nossa vida, qualquer tipo de separação limitará as oportunidades de aprendizado e crescimento.

Ao invés de perceber a importância de alguém somente com a chegada da morte, por que não aprender com as lições que a vida tem a nos oferecer?
Refletir sobre o que se poderia ter feito de melhor nos momentos finais da vida de alguém, nivela, por baixo, a grandeza da contribuição de nossa amizade para a vida daqueles que estão próximos. Se a morte nos presenteia com questionamentos, a vida vem brindar, com a alegria e a harmonia inquieta do sadio relacionamento, aqueles que aproveitam de seus ensinamentos.

Para quem muito amou ficará a sensação de que a vida foi curta para desfrutar da companhia do outro. E para aqueles que reconhecem ter desperdiçado o tempo com “picuinhas”, há ainda a chance de aprender com as dolorosas lições que a morte nos oferece.
Vivamos na graça da esperança renovada, pois enquanto há vida, há renovação!

Um abraço

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