Quando pensamos ter falhado

novembro 28, 2007

7601txt.jpgDe tempos em tempos, surgem na mídia informações de pais que, desesperados, tomam atitudes nada convencionais para com os filhos. Na tentativa de salvar a vida ou a integridade deles, lançam mão daquilo que pensam ser uma possível solução. Na aflição de vê-los envolvidos em situações que julgam perigosas fazem de tudo desde a solicitação da interdição de seus direitos até mesmo a aplicação da força. Temos visto na TV alguns casos de pais que acorrentavam os filhos ao pé da cama, denunciando-os à polícia, e em outros casos se negando a pagar fiança. Para quem assiste a esses acontecimentos, essas atitudes podem parecer muito estranhas, especialmente, vindo daqueles que condenam ao cárcere seu próprio sangue e própria carne.

Frustra o coração dos pais quando deparam com situações contrárias àquelas que planejavam para os filhos. A tranqüilidade deles é abalada quando o que tinham como expectativa para o futuro dos filhos desmorona. Pensar ter falhado na missão, como educadores, traz sérios efeitos “colaterais” como a irritação, o sono perturbado, a dificuldade de relacionamento com o filho e/ou com o cônjuge. Transtornados emocionalmente, certamente, também terão dificuldades de concentração no trabalho ou em outras tarefas domésticas.

Nessas situações parece que a casa está à “deriva” e muitas pessoas tentam ajudar com conselhos. Algumas podem até criticar, dizendo que tudo aconteceu em função da ausência materna e/ou paterna, ou que a culpa foi o excesso de mimo… Outras podem dizer que faltou direcionamento espiritual e psicológico; enfim, todos têm uma solução para os problemas daqueles que sofrem. No entanto, elas se esquecem de que aquilo que foi acerto numa família, não necessariamente será regra para outras.

Talvez seja doloroso para os zelosos pais constatar que a sua influência – direta – no comportamento dos filhos acontecia apenas enquanto eram crianças, que dependentes de seus carinhos colocavam-se sob os seus cuidados. Hoje, mais adultas aspiram a viver a mesma a liberdade, que por eles [pais], um dia, também foi reivindicada. Sabemos que transferimos na educação dos nossos filhos o conhecimento. Entretanto, a experiência de vida se obtém por meio do exercício da liberdade – associado à prudência da boa educação.

Por mais que os pais sofram com as atitudes “descabeçadas” dos filhos, eles não devem se sentir culpados pelas conseqüências de seus atos. Para o coração deles, tolerar uma situação que lhes desagrada, certamente não será uma tarefa fácil de engolir.

Embora frustrados com os acontecimentos, precisarão romper com o sentimento de fracasso e exercitar a tolerância para aquelas situações que não podem mudar. Nesse momento, eles precisarão de amparo e ajuda para ter a coragem de realizar aquilo que está ao seu alcance e acreditar que os valores e princípios fecundados no coração dos filhos não foram perdidos. Ainda que estes possam estar por algum tempo “embriagados” por valores vis, no futuro, eles terão a chance de reconhecer que por muito tempo caminharam como viajantes errantes.

É nessa certeza que repousará na paz inquieta o coração dos pais.

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O legado de um pai

setembro 5, 2007

legadotxt.jpgÀ primeira vista, quando se pensa na paternidade, podemos considerar alguém que está à frente de uma família sendo o provedor de suas necessidades; pelo menos, no mínimo daquilo que se é exigido. Muitas são as tarefas daqueles que, porque geraram, tornaram-se educadores por natureza. Talvez, se compararmos todos os atributos necessários aos pais, a capacidade de gerar poderia ser classificada como a mais fácil entre todas as demais.

Certamente, educar e formar um novo homem não é uma tarefa fácil. É certo que um dia nossas crianças aprenderão a correr, a andar de bicicleta e, no tempo particular de cada uma, aprenderão tudo o que está nos livros. Saberão discernir o norte do sul, aprenderão a tabuada, navegarão pela Internet com a facilidade de quem já nasceu inserido num mundo globalizado…

No processo de crescimento natural, nossos filhos caminharão, a cada dia, mais longe do “ninho” de onde nasceram. Desvendando os mistérios de um mundo novo, viverão as alegrias que a vida proporciona e também experimentarão os “eclipses”, os quais terão de aprender a superá-los. Serão momentos únicos para cada um, assim como o foram também para nós, os quais ninguém poderá assumir por eles a vez!

Poupá-los dos sofrimentos e prepará-los para enfrentar as suas próprias dificuldades será sempre o desejo dos pais. Entretanto, seria inútil tentar encaixar nossos filhos em um molde idealizado por nós. No nosso tempo, mal sabíamos que – num futuro tão próximo – haveria alguma coisa semelhante ao mundo que temos hoje à nossa volta. Assim o “molde” que se acreditava ser perfeito 20 anos atrás, certamente, não atende às formas exigidas do tempo atual.

Então, com qual bem – que não seria roído pelas traças nem roubado pelos ladrões – eles deveriam ser cumulados?

Da relação familiar, a simplicidade da amizade entre pais e filhos fará refletir na vida deles atitudes equilibradas e de responsabilidade. Mesmo que eles tenham se formado nas melhores faculdades ou estejam trabalhando nas melhores empresas – se não tiverem experimentado a singeleza de se sentirem amados não poderão viver o ato de amar.  Esse é o legado que os filhos esperam receber em casa.

Um dia, nossos filhos estarão sentados com os seus filhos [nossos netos] contando histórias de suas histórias. Num passado vivo em seus corações ainda ecoam os sons das convivências em família, regadas de amor nas conversas, brincadeiras e gestos, que tinham como objetivo estampar um sorriso em seus lábios. Sabem que foram amados, pois aquele que detinha a autoridade em casa estava sempre na posição de servo, a serviço de suas necessidades.

Deus, sabendo daquilo que nos seria necessário, presenteou-nos com os filhos. Ainda que estes possam, por algumas vezes, parecer um fardo difícil de levar, a presença deles será para os pais o braço forte e o fôlego a mais para conquistar a vitória de uma vocação – a paternidade.

Vale a pena não desistir daquilo em que acreditamos!

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 Um abraço