Violência familiar e doméstica

abril 20, 2010

Mais comum do que as estatísticas apresentam, a violência doméstica e familiar é um fato explícito ou, muitas vezes, velado, encoberto, praticado dentro de casa, entre parentes (homem e mulher, entre filhos, dos filhos para com os pais e vice-versa, dentre outros), incluindo a violência e o abuso sexual contra criança, os maus-tratos contra idosos e contra a mulher, e violência contra o parceiro. Este problema se torna cada vez mais evidente, porque as marcas não são apenas sociais, mas geram um problema de saúde pública e cuidados que cada vez mais são percebidos e necessários às vítimas desses tipos de violência.

As pesquisas divulgadas mostram que os meninos são vítimas mais frequentes de violência física, porém, no que se refere à violência sexual, as vítimas mais frequentes são as meninas (3 a 4 meninas para um menino). Em muitos casos, a violência sexual e a violência física costumam aparecer juntas e nos três casos são um risco para o processo de desenvolvimento saudável da pessoa. É importante destacar a violência psicológica que também é sofrida.

A abertura para esse assunto não é muito fácil, pois, muitas vezes, a violência é silenciosa, envolve segredos familiares e aproxima-se dos agressores que, muitas vezes, estão mais próximos do que a família gostaria de encarar.

É interessante entender o que é cada um dos tipos de violência e saber como lidar com ela.

a) Violência física – ação única ou repetida, intencional, cometida por um adulto ou pessoa mais velha que a criança ou adolescente, que provoque dano físico, de grau variado de lesão que leve até à morte;

b) Violência psicológica – envolve um padrão de comportamento destrutivo do adulto, que interfere negativamente na competência social da criança, por meio de práticas de rejeição, isolamento, ameaça, descaso, corrupção, expectativas e exigências irreais, violências que não deixam marcas físicas, mas afetam diretamente o comportamento e o lado emocional dos violentados;

c) Violência sexual – ato ou jogo sexual, com a intenção de estimular sexualmente ou de usar a criança ou adolescente para obter satisfação sexual por parte de adulto ou de pessoa em estágio mais avançado de desenvolvimento. Existe também a chamada negligência que pode ser caracterizada como o abandono parcial ou total dos responsáveis e/ou a omissão quanto a oferecer as necessidades básicas e da supervisão essencial à segurança e ao desenvolvimento da criança, quando não associadas a privações socioeconômicas.

A violência contra a criança mostra-se, na maioria das vezes, como fator de risco para que apresentem problemas de comportamento, ajustamento escolar e de uma percepção social negativa, ou seja, com uma visão distorcida, amedrontada e até mesmo isolada dos relacionamentos sociais. Para enfrentar este problema, são utilizadas as chamadas redes sociais de apoio, ou seja, todos os recursos pessoais da criança e da família que são usados para enfrentar o problema da violência, como a própria família, a escola, os meios sociais frequentados pelas vítimas, além do suporte público e político no combate de tais situações.

Outra forma de agressão cometida por pais e parentes que pode prejudicar o desenvolvimento emocional, muito comum por aparentemente não causar danos às vítimas, são as violências psicológicas. Comparar a criança com o seu irmão, apontar os defeitos físicos e intelectuais ou castigá-la trancando-a no quarto escuro, são exemplos desse tipo de violência, dificilmente detectada, pois o agressor acredita que seu ato é apenas uma brincadeira ou forma de educar, mas pode gerar medos e conflitos na criança ou jovem.

Os principais sinais apresentados pelo jovem ou criança que sofre violência são: ansiedade, choros constantes sem aparente motivo, medo, pesadelos, tentativas de suicídio, marcas de violência no corpo, ataques de pânico, baixo rendimento escolar, sentimento de inferioridade.

Se a sociedade pudesse viver o verdadeiro uso da palavra “amar”, que não aquele afirmado também pela mídia, ligado apenas ao namoro e ao sexo, e sim pensar no amor por sua definição mais simples – relacionar-se com igualdade de consideração, sem superioridade ou inferioridade, sendo tolerantes às falhas e diferenças humanas – muitos casos não seriam mais presenciados. Amar é não fazer ao outro coisas que nós não gostamos que sejam feitas conosco. O que nós não gostamos de receber, certamente o outro também não deve gostar.

A partir desta vivência, nos tornaremos cooperadores um do outro em vez de destruidores. Que possamos ser agentes na extinção desta violência, com o máximo de respeito e ação frente a tais situações.

Elaine Ribeiro
Formada em Psicologia Clínica e Pós-Graduada em Gestão de Pessoas
contato:  elaineribeiro@hotmail.com

(*)artigo publicado com a permissão da autora

 


Quando pensamos ter falhado

novembro 28, 2007

7601txt.jpgNessas situações parece que a casa está à “deriva” e muitas pessoas tentam ajudar com conselhos.

De tempos em tempos, surgem na mídia informações de pais que, desesperados, tomam atitudes nada convencionais para com os filhos. Na tentativa desalvar a vida ou a integridade deles, lançam mão daquilo que pensam ser uma possível solução. Na aflição de vê-los envolvidos em situações que julgam perigosas fazem de tudo desde a solicitação da interdição de seus direitos até mesmo a aplicação da força. leia mais


O legado de um pai

setembro 5, 2007

legadotxt.jpgÀ primeira vista, quando se pensa na paternidade, podemos considerar alguém que está à frente de uma família sendo o provedor de suas necessidades; pelo menos, no mínimo daquilo que se é exigido. Muitas são as tarefas daqueles que, porque geraram, tornaram-se educadores por natureza. Talvez, se compararmos todos os atributos necessários aos pais, a capacidade de gerar poderia ser classificada como a mais fácil entre todas as demais.

Certamente, educar e formar um novo homem não é uma tarefa fácil. É certo que um dia nossas crianças aprenderão a correr, a andar de bicicleta e, no tempo particular de cada uma, aprenderão tudo o que está nos livros. Saberão discernir o norte do sul, aprenderão a tabuada, navegarão pela Internet com a facilidade de quem já nasceu inserido num mundo globalizado…

No processo de crescimento natural, nossos filhos caminharão, a cada dia, mais longe do “ninho” de onde nasceram. Desvendando os mistérios de um mundo novo, viverão as alegrias que a vida proporciona e também experimentarão os “eclipses”, os quais terão de aprender a superá-los. Serão momentos únicos para cada um, assim como o foram também para nós, os quais ninguém poderá assumir por eles a vez!

Poupá-los dos sofrimentos e prepará-los para enfrentar as suas próprias dificuldades será sempre o desejo dos pais. Entretanto, seria inútil tentar encaixar nossos filhos em um molde idealizado por nós. No nosso tempo, mal sabíamos que – num futuro tão próximo – haveria alguma coisa semelhante ao mundo que temos hoje à nossa volta. Assim o “molde” que se acreditava ser perfeito 20 anos atrás, certamente, não atende às formas exigidas do tempo atual.

Então, com qual bem – que não seria roído pelas traças nem roubado pelos ladrões – eles deveriam ser cumulados?

Da relação familiar, a simplicidade da amizade entre pais e filhos fará refletir na vida deles atitudes equilibradas e de responsabilidade. Mesmo que eles tenham se formado nas melhores faculdades ou estejam trabalhando nas melhores empresas – se não tiverem experimentado a singeleza de se sentirem amados não poderão viver o ato de amar.  Esse é o legado que os filhos esperam receber em casa.

Um dia, nossos filhos estarão sentados com os seus filhos [nossos netos] contando histórias de suas histórias. Num passado vivo em seus corações ainda ecoará os sons das convivências em família, regadas de amor nas conversas, brincadeiras e gestos, que tinham como objetivo estampar um sorriso em seus lábios. Saberão que foram amados, pois aquele que detinha a autoridade em casa estava sempre na posição de servo, a serviço de suas necessidades.

Deus, sabendo daquilo que nos seria necessário, presenteou-nos com os filhos. Ainda que estes possam, por algumas vezes, parecer um fardo difícil de levar, a presença deles será para os pais o braço forte e o fôlego a mais para conquistar a vitória de uma vocação – a paternidade.

Vale a pena não desistir daquilo em que acreditamos!

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Um abraço

Dado Moura


Meu primeiro mestre

agosto 7, 2007

pai.jpgA formação de um homem começou quando este, ainda menino, se colocava atento como um discípulo-mirim, aos movimentos e expressões faciais do seu mestre que sempre tinha uma solução para todas as coisas. Consertava relógios, carros, fazia instalações elétricas, construía até casas! Sem conhecer de música, ingressou na banda do exército para garantir melhores condições de vida para aqueles que Deus lhe havia confiado. Concluia o curso ginasial noturno, enquanto aprendia a ler as partituras por conta própria; e mesmo sem instrumento musical estudava e treinava apenas com o bocal de uma tuba.

O que seria impossível para ele realizar, se entendia de tudo? Esse era o pensamento do menino…

Certamente, devido à urgência das necessidades o obrigasse, por muitas vezes, a dar passos maiores do que aqueles que o menino pudera acompanhar. Exigia-se do menino um raciocínio sempre projetado à próxima ação lógica…entretanto, o pequeno discípulo não poderia perder os ensinamentos, pois o tempo não permitiria “aulas de reforço” nem tampouco o dispensaria das “sabatinas da vida”.

O menino cresceu, tornou-se adolescente e hoje, de discípulo passou a ser mestre. Relembrando todos os momentos vividos, pode-se registrar em quantidades múltiplas as qualidades de seu mestre se comparadas aos seus erros. Tal como a água que escorre por um fio de lã, escorria-lhe a hombridade para sua prole.

Ações semelhantes, certamente, são repetidas em muitos outros lares, onde pais que assumiram verdadeiramente o peso e a responsabilidade do seu báculo conduzem sua igreja particular na simplicidade de quem traz nas mãos os calos, e no olhar o vislumbre da verdade que ainda, seus filhos, não chegaram a entender.

Meu pai é show!

Dado Moura


Pais, um espelho para os filhos

julho 18, 2007

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Mais que um canal de provisão, somos modelo de comportamento.

Ao observarmos as brincadeiras de nossos filhos, muitas vezes, vamos nos surpreender com a fiel representação daquilo que, sem perceber, costumamos fazer. Sem muito esforço, perceberemos que até a nossa maneira de falar, gesticular ou de nos comportar são fielmente reproduzidos pelas nossas crianças como se estivéssemos vendo a nossa versão em miniatura.


Podcast


As brincadeiras dos meninos, frequentemente, estão representando as responsabilidades dos pais, através de um personagem que sai para trabalhar de carro, de ônibus ou a pé. As meninas são normalmente as mães que se dedicam a manter a casa arrumada, a preparar a comida, a cuidar do bebê… Em outros casos, certamente, esses personagens podem ganhar um outro “script” como uma mulher empresária, uma professora, médica, entre outros. Tudo dependendo da realidade da família da qual as crianças fazem parte e de sua fértil imaginação. Em algumas circunstâncias, os pais poderão ouvi-las repreendendo suas “filhinhas” com as mesmas palavras que comumente elas são, também, repreendidas. A partir desses fatos, desejo que nenhum pai tenha o desprazer de assistir suas crianças esbofeteando suas bonecas!

Se analisarmos um pouco, facilmente perceberemos que muitos dos nossos valores foram adquiridos por meio do testemunho de nossos pais. Mais que um canal da provisão em casa, eles projetavam, em casa, um modelo de comportamento. Ainda que não tivéssemos contemplado somente seus acertos,  diante daqueles erros os quais testemunhavamos ou fomos vitimas, em nossa decisão infanto-juvenil, “intencionávamos” ser diferentes e assim, não repetir as infelizes atitudes com os nossos próprios filhos.

Hoje, temos a graça de “consertar” em nós algumas coisas que vivemos e experimentamos no passado como filhos; para que mais uma geração não venha a sofrer as mesmas dores. Sem dúvida, mais que super-heróis, os pais são, para os filhos, os modelos mais próximos que lhes transmitirão o senso de responsabilidade, respeito, idoneidade, espiritualidade, entre outros. Acredito ser muito difícil a cobrança de um determinado comportamento, quando os pais não foram os canais para alguns desses valores.

Assim como lembramos os gestos de nossos pais, lembramo-nos também dos momentos em que não seguimos, tão retamente, o que nos foi ensinado. “Os acidentes de percurso”, dificuldades e algumas crises na educação de nossos próprios filhos,  também vamos enfrentar.
A certeza que podemos acalentar é que os valores fecundados na essência de nossas crianças são irrevogáveis e, certamente, serão transmitidos para outras gerações, que seguramente, não chegaremos a contemplar. A nossa pequena família é um espelho de formação para outras e poderá ser a graça estendida até a nossa milésima geração.

Deus abençoe a semente de uma nova geração que começa em cada família.

Dado Moura


Nossos filhos estão criando asas

junho 13, 2007

5681txt.jpgRemontando a nossa história, quando crianças, lembramos das muitas vezes em que tivemos nossa mãe presente, para nos ajudar a resolver os pequenos impasses do nosso cotidiano. Era comum recorrer à sua ajuda em todos os nossos desafios.

Nos dias atuais, essa característica já não é tão forte para a nova geração. Sabemos que o novo ritmo imposto pelo mundo tem ditado, também, um novo comportamento familiar. Muitas famílias contam com a provisão não somente do marido, mas também com a da contribuição feminina. Não temos dúvidas da versatilidade das mulheres para manter a casa e ainda ocupar seu lugar no mercado de trabalho. (conf. O peso de uma realização)

Para toda ação há uma reação. De todos os benefícios obtidos para o lar, com a participação das mães de família no mercado de trabalho, houve também uma reação no comportamento dos filhos que começaram a ter as creches como extensão de suas casas. Atualmente essas se caracterizam pela especialização no melhor atendimento para uma clientela que, mesmo sem saber falar ou reclamar seus direitos, tem os critérios dos pais na exigência dos serviços prestados para ela.

Se compararmos o nosso comportamento de infância com o das crianças do século XXI, perceberemos uma grande desenvoltura destas, talvez, por iniciarem em tenra idade o exercício da convivência social. Com o passar do tempo, nossas crianças cresceram e assumiram novos posicionamentos de opiniões e desejos. O senso de decisão e a perspicácia para o novo são notórios e, muitas vezes, o senso de independência também aparece mais cedo para esta nova geração.

As crianças e adolescentes do século XXI já não são tão dependentes para escolher uma roupa ou para decidir o que comer. O que antes era resolvido pelos pais, agora, pouco a pouco, tem se manifestado como sinal de maturidade, ainda que sejam pequenos.

Talvez, por terem enfrentado muito cedo situações que facilmente os pais resolveriam por eles, esses filhos, hoje, já vivem certa “independência”. Tornaram-se adolescentes “resolvidos” e suas opiniões poderão ser facilmente confundidas pelos pais como “desobediência”. Entretanto, no exercício dessa liberdade, certas escolhas ou procedimentos deles [filhos] podem conflitar com os princípios defendidos pela família.

Digerir uma situação que os filhos – já crescidos – insistem em vivê-la, mesmo contraria à vontade de seus pais, é uma tarefa difícil para os genitores, talvez, mais difícil que sustentar a própria casa. Para nós, pais, creio que respeitar as opções deles não significa estar de acordo ou aprová-las. Os filhos precisam conhecer as razões que levaram os pais a se manifestarem desfavoravelmente ao que tinham optado por viver ou experimentar.

Ainda que nossos filhos possam estar criando asas, é sempre bom recordá-los de que o vínculo e a tranqüilidade familiar sempre serão o “porto seguro” onde poderão restabelecer suas forças, e o “laboratório” onde aprenderão a conquistar o amadurecimento pessoal. Por mais resolvidos que possam se achar, ainda não conseguem vislumbrar o que foi encarado pelos mais velhos.

Que Deus nos ajude a viver esse ministério. Abraços.

Dado Moura


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