O presente que falta ser desembrulhado

dezembro 1, 2008

11238txtÉ praticamente impossível não deixar de perceber que o Natal está chegando. As casas ganham uma ornamentação especial. As pessoas se mobilizam de tal maneira que nenhuma outra celebração do ano parece igual. Árvores são iluminadas, jardins decorados e o comércio se movimenta traçando estratégias para melhores faturamentos.

As empresas comemoram com seus empregados brindando a chegada de mais um Natal, com comidas, brincadeiras e troca de presentes, ainda que muitos desses, depois de desembrulhados, sejam esquecidos nos armários ao longo dos meses futuros. A maneira como a grande maioria das pessoas celebra essa festa pouco se assemelha com uma celebração religiosa cristã.


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Para os mais desavisados, pode-se pensar que dezembro é um mês em que o comércio promove uma competição, distribuindo cupons e elegendo, com prêmios, por meio de sorteios, um vencedor. Muitos esperam encontrar – na atitude de presentear e de serem presenteados – o verdadeiro significado dos votos de felicidade expressos nos cartões ou nas frases, muitas vezes, repetidas quase que automaticamente. Para outros, os votos de felicidades são traduzidos na possibilidade de conseguirem muito dinheiro para realizar todos os sonhos de consumo.

Toda essa movimentação parece revigorar as forças de um desejo misterioso nas pessoas de encontrar um sentido para suas vidas que, por muitas vezes, não passam de dias rotineiros, repletos de superficialidades, os quais se repetem por anos a fio.

Infelizmente, devido à necessidade de se alcançar uma felicidade vendida pelo mundo, mal se tem tempo para acolher o presente que Deus concede a muitos, mas que ainda não foi desembrulhado…

Com a agenda cheia de compromissos, visitas, entre outros apontamentos, faltam esforços para viver o encontro com Aquele que é a salvação para ricos e pobres; brancos e negros; livres e cativos. Aquele que deseja nos ajudar a alcançar as virtudes que, por muitas vezes, nos vemos distantes.

A felicidade que se busca não está contida num pacote embrulhado ou, simplesmente, nos votos de dias sem preocupações, crises e sofrimentos. Sabemos que presente algum poderá eliminar os vazios de nosso coração quando há falta de gestos concretos de solidariedade, paciência e disposição para transformar o ambiente em que vivemos, no lugar onde a sadia convivência, a harmonia e o respeito mútuo tem morada.

O grande diferencial que suprirá o vazio de nossa alma e que revitaliza nossas forças, especialmente quando sobrevêm as tempestades em nossa vida, tem sido proclamado pela Igreja há mais de 2.000 anos. Ainda hoje grandes transformações continuam acontecendo na vida daquelas pessoas que se colocam abertas a conhecê-Lo, pois, ao tocarem a história d’Ele, não se encontram com um personagem que viveu há milhares de anos, mas com Alguém que vive e realiza prodígios na vida de quem O acolhe como Amigo.

Não se conhece alguém que, ao assumir a participação de Jesus Cristo na sua vida, tenha sido decepcionado ou abandonado às margens do caminho; ou que, ao ter clamado por Sua ajuda, tenha sido desprezado.

Talvez esteja faltando – entre as atividades agendadas para o feriado de Natal – o compromisso de buscar viver o encontro com Aquele que é a razão de toda existência. Dessa maneira, em vez de permitirmos que o Menino Deus nasça numa manjedoura fria, que possamos testemunhar a alegria de acolher Aquele que pode preencher a nossa alma, abrindo as portas do nosso coração para a Salvação que vem ao nosso encontro.

Abraços e votos de feliz natal repleto de mudanças

Dado Moura

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Natal, o presépio sou eu

dezembro 17, 2007

noeltxt.jpgPodemos pensar que os calendários e as festas apenas se repetem ano após ano. Tal fato pode ser considerado uma verdade para aqueles que apenas vivem o momento sem que se apercebam da proposta apresentada em cada data especial.
Dezembro, sobretudo, é um mês em que todas as ações estão voltadas às festividades natalinas. O comércio se mobiliza desdobrando-se em turnos de trabalho e as cidades ficam mais iluminadas.

Muitas pessoas gastam tempo e dinheiro preparando suas residências e as decorando com magníficos presépios de acordo com a caracterização típica da época natalina. Durante todo o mês, os cumprimentos e votos de felicitações para um Feliz Natal são muito ouvidos. Em todos os lugares, cristãos de todo o mundo estarão reunidos para celebrar a noite mais santa de todas.

Não é raro nós vermos pessoas reclamando ou tristes, exatamente na noite em que a humanidade rejubila pela graça que Deus dispensou à humanidade, isto é, o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós! É obvio que não conseguimos passar uma borracha sobre os maus acontecimentos vividos e mesmo sendo um tempo festivo, estaremos nos aproximando do Natal com as nossas dificuldades vividas ao longo do ano ou talvez com o coração inquieto com diversas preocupações, decepções e até mesmo tristezas.

Por vezes, achando estar fazendo a coisa certa, pedimos a Deus licença para pecar ou tiramos férias de suas orientações. Acreditando ter maturidade suficiente, assumimos as rédeas de nossa vida – deixando Deus participar apenas como um carona. Pouco a pouco, conduzimos ao cativeiro nossa alma e, conseqüentemente, nos vemos perdidos, desolados, com poucos amigos, dessa forma, vivemos como exilados na própria terra.

Sem cessar, buscamos respostas para muitas perguntas que inquietam nossa alma. Entretanto, esquecemos que o nascimento do Filho de Deus veio propor a cada um de nós o novo caminho.
“Para os que habitavam na terra da escuridão uma luz começou a brilhar”(Isaías 9, 1).
Foi para a libertação das amarras de nossas tristezas, amarguras e de muitas outras noites de insônia que veio a Salvação.

Por muitas vezes, preparamos o presépio e decoramos a fachada de nossa casa iluminando-a com centenas de lâmpadas, mas não deixamos a chama da Vida crepitar em nosso coração. Em nós está a manjedoura na qual o Salvador deseja nascer e não naquela que foi montada como um belo enfeite.

A nós cabe nos encher com a força da fé, que nos impulsiona a sair da “gruta” do nosso orgulho, azedumes e melindres e retomar o caminho que neste período nos é apresentado.

Abraços e Feliz transformação de vida


Natal: A quem procuras?

dezembro 19, 2006

natal.jpgA fragilidade da vida de um recém-nascido provoca diferentes emoções, mas nada se compara à profunda alegria para aquela que o gerou. Sob os olhares dos pais para o filho recém-nascido, reconhecendo a benevolência divina para com eles no ato de gerar, percebemos o inefável. Muitos parentes e amigos visitarão aquela pequena criatura que nada pode fazer por si própria.

Na manjedoura, os olhares de Maria e José testemunhavam a Salvação que alcançava toda a humanidade. Eles viram a encarnação do Verbo!

Para os pastores, que partiram ao encontro do “sinal” – foi anunciada a Boa Nova, que seria alegria para todos…

Para nós, o povo escolhido, o povo objeto dessa benevolência, a quem temos saído ao encontro no dia de Natal? O que temos procurado encontrar? O que conseguimos “ver” diante da Sua presença?

Muito mais do que as grandes mobilizações do comércio e do povo nas ruas, suas manifestações de alegrias em festas, a Igreja proclama a vida manifestada, e que nesses 2000 anos tem dado testemunho e anunciado a Vida Eterna, que no Pai estava e a nós se manifestou.

A mesma alegria inefável de Maria e José talvez não possamos alcançar, mas queremos ser agradecidos e tomando posse da graça da salvação, fazer como João “que veio para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele” (João 1,7).

Deus abençoe o seu Natal!

 

*Artigo publicado originalmente em Dez. 2006