Halloween! Que motivos temos para celebrar?

outubro 26, 2007

halloweent.jpgA cada ano torna-se mais popular as comemorações do Halloween no Brasil. Mas que motivos teríamos para celebrar tal data, sendo que a pouco tempo atrás, o dia 31 de Outubro não tinha nenhuma importância para o nosso calendário?
Sabemos que a palavra Halloween tem sua expressão da contração errada da palavra em inglês “All Hallow Eve” que significaria na versão para o português em “Dia de Todos os Santos”.

Este tipo de celebração surgiu na Irlanda no século 5º A.C. onde se acreditavam no retorno dos espíritos em busca de corpos para poder “viver” por mais um ano. A pessoa do Jack – o lanterna, seria de um homem que teria enganado o demônio, após ter feito um pacto com ele…
Sendo assim, conta a crença que as pessoas temendo serem possuídas por esses espíritos se descaracterizavam na tentativa de, assemelhar-se a eles, promovendo barulhos e destruição. Quanto maior fosse a algazarra, maior seriam as chances de enganar os espíritos que estariam vagando.

Percebemos que em pouco tempo, houve uma intervenção cultural e, sem restrições, foi absorvida por parte da população. Aquilo que fazia parte somente de um folclore estrangeiro, lentamente foi inserido junto às escolas de idiomas, que justificando mostrar o comportamento e costumes de uma região foram fixando em seus calendários.
Hoje já não é diferente em outras escolas e até mesmo os clubes sociais, bailes que se esmeram na decoração com cenário, por vezes macabra, os quais exigem como figurino máscaras, fantasias e maquilagem pálidas.

O que estaríamos verdadeiramente comemorando? Quais os motivos que teríamos para exaltar?

De norte a sul do país, o folclore brasileiro enriquece a nossa cultura com as histórias de mula sem cabeça, saci pererê, lobisomem, curupira, boto, mãe d´água, bumba meu boi, entre outros. Se a moda de celebrar os motivos folclóricos se tornar um costume, boa parte do nosso calendário será recheado de muita festa sem motivos de celebração.

Um abraço. Até mais

Dado Moura


Internet, o bicho-papão?

setembro 25, 2007

Assim como foi a revolução causada pela rádio e posteriormente pela televisão, hoje, temos em mãos a internet, uma ferramenta que nos conecta, em segundos, com o mundo.
Enquanto tomamos uma xícara de chá, podemos visitar museus e ainda ver o que está acontecendo do outro lado do planeta. Para as nossas crianças, as lições de casa se tornaram mais fáceis. Os trabalhos de escola, que anteriormente eram feitos nas bibliotecas, para a maioria dos usuários se tornaram mais fáceis ao acessar os mecanismos de busca sem sair de seus quartos. Com esse bem tecnológico uma preocupação a mais surgiu para os pais com relação às suas crianças: o perigo na internet!

Sabemos que essa rede de computadores, colocada ao nosso alcance, não é somente um instrumento de pesquisa, mas também de entretenimento. Fóruns de discussões, chats, vídeos e ambientes virtuais, num mesmo espaço, marcam o diferencial para essa invenção tecnológica. Com tantas opções de acessos e com conteúdos praticamente sem restrições, a internet trouxe uma inquietação a mais para os pais a respeito de suas crianças “plugadas”.

Grandes invenções tornaram-se “perigosas” quando foram utilizadas de maneira desvirtuada aos propósitos que haviam sido idealizadas. Infelizmente, o conceito de “coisa perigosa” também tem sido aplicado a esta ferramenta. Visto que algumas pessoas se utilizam dela como instrumento de força a fim de subjugar pessoas a um estado de servidão emocional ou física.

O principal risco que vejo para este instrumento é o de nossas crianças acessarem material impróprio, tais como conteúdos eróticos, pornográficos, de natureza violenta ou conteúdos que possam encorajar atividades ilegais ou perigosas. Elas também correm o risco de – enquanto estão conectadas em salas de bate-papo – estabelecer amizades com pessoas que apenas desejam tirar vantagens da inocência delas, obtendo informações particulares que podem trazer danos para sua própria segurança ou de seus familiares.

As salas de bate-papo, que deveriam ser uma maneira de se estabelecer novas amizades, podem tornar-se um drama para os menos avisados. A facilidade do anonimato neste local virtual favorece as atividades de adultos inescrupulosos. Para aplicar golpes ou aliciar crianças e adolescentes, essas pessoas fingem pertencer à mesma faixa etária a fim de tirar vantagens da “amizade” ingênua. Em muitos casos de pedofilia são usados tais meios para conseguir a confiança de menores para posterior encontro.

Procedimentos de proteção para uma navegação segura já são encontrados na maioria dos navegadores, necessitando apenas, através de alguns cliques,programá-los.
Muitas vezes, vale a pena se considerar a possibilidade de estabelecer horários para acessar a rede ou até mesmo instalar o computador em local menos reservado.

Se tomarmos pequenas medidas de segurança, não será necessário classificar a internet como o “bicho-papão” do século, apenas para poupar nossos pequenos de um risco colocado por adultos.

Um abraço,

Dado Moura


Idoso, um tesouro de conhecimento

setembro 18, 2007

vo.jpgAssim são os idosos, pessoas que trazem impregnado nelas o testemunho de uma geração devido ao acúmulo dos anos vividos. Para eles, hoje, o tempo não tem a mesma importância de outrora e, se ainda usam o relógio de pulso é apenas como um acessório. Com a idade avançada, os passos se tornam mais lentos e os sentidos debilitados, alguns ainda mantêm a lucidez suficiente para contar suas repetidas histórias, as quais parecem ter importância, sobretudo, para os netinhos.

Pessoas – que merecem atenção e respeito – são discriminadas pela sociedade por considerá-las fora de um padrão estipulado como ideal. Aliás, convencionou-se que uma pessoa é idosa aos 65 anos de idade. Sabemos que muitas delas ainda têm condições de contribuir em muito com a mesma sociedade que as discrimina e descarta. Entretanto, muitas vezes, essa convenção ditada pelo meio social traz para a pessoa mais velha a sensação de que ela é um estorvo, incapaz de produzir ou oferecer alguma coisa útil.

A cultura imposta pela sociedade a respeito do idoso, gradativamente, é aplicada dentro de muitos lares. Infelizmente, em algumas famílias o comentário que se faz a respeito do mais velho é o comparando a um traste, alguém que somente dá trabalho, uma pessoa lerda e caduca ou cheia de doenças. Esquecem que aquele que agora tem a pele frouxa, sensível e uma visão fraca, em outros tempos, dedicou muito de sua vida no cuidado deles, quando eram bebês indefesos, os quais hoje deveriam retribuir com os mesmos gestos de carinho e respeito.

Sabemos que, a cada novo dia, os anos de vida se tornam mais pesados – tanto para os mais novos quanto aos mais velhos. Para estes, em especial, as tarefas mais simples do dia-a-dia se tornam cada vez mais difíceis, obrigando-os a se tornarem dependentes e merecedores dos mesmos cuidados que se aplicam às crianças.

Independentemente da nacionalidade, raça, cor ou condições financeiras, a natureza nos força a trilhar os mesmos caminhos percorridos por aqueles que nos antecedem. Se não houver a valorização dos méritos das pessoas mais velhas de nossa parte, nossos filhos estarão crescendo e sendo formados sob os mesmos conceitos, aos quais provavelmente nós é que seremos submetidos em alguns anos. Lembremos que podemos ser tratados pelos nossos jovens da mesma maneira que estamos ensinando-os a tratar os seus idosos.

Aqueles que souberem aproveitar do convívio com os mais velhos terão muito a aprender com seus conselhos. Pois estes, apesar de terem as forças tragadas pelos anos, vão continuar nos ensinando com a atitude humilde de permitir que sejam guiados ou até mesmo ajudados na sua higiene pessoal.

Com a riqueza acumulada ao longo dos anos, a presença dos mais velhos traz para os mais novos o tesouro daqueles que aprenderam a ver o mundo com os olhos do coração. Ainda que não tenham mais o mesmo vigor destes, nossos velhos detêm o conhecimento e a sabedoria que não se aprendem em livros e estão sempre dispostos a partilhar tal riqueza.

Se não podemos mudar o conceito do mundo a respeito dos idosos, muito podemos fazer no nosso universo familiar. O respeito começa em casa.

Um abraço

Dado Moura

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O legado de um pai

setembro 5, 2007

legadotxt.jpgÀ primeira vista, quando se pensa na paternidade, podemos considerar alguém que está à frente de uma família sendo o provedor de suas necessidades; pelo menos, no mínimo daquilo que se é exigido. Muitas são as tarefas daqueles que, porque geraram, tornaram-se educadores por natureza. Talvez, se compararmos todos os atributos necessários aos pais, a capacidade de gerar poderia ser classificada como a mais fácil entre todas as demais.

Certamente, educar e formar um novo homem não é uma tarefa fácil. É certo que um dia nossas crianças aprenderão a correr, a andar de bicicleta e, no tempo particular de cada uma, aprenderão tudo o que está nos livros. Saberão discernir o norte do sul, aprenderão a tabuada, navegarão pela Internet com a facilidade de quem já nasceu inserido num mundo globalizado…

No processo de crescimento natural, nossos filhos caminharão, a cada dia, mais longe do “ninho” de onde nasceram. Desvendando os mistérios de um mundo novo, viverão as alegrias que a vida proporciona e também experimentarão os “eclipses”, os quais terão de aprender a superá-los. Serão momentos únicos para cada um, assim como o foram também para nós, os quais ninguém poderá assumir por eles a vez!

Poupá-los dos sofrimentos e prepará-los para enfrentar as suas próprias dificuldades será sempre o desejo dos pais. Entretanto, seria inútil tentar encaixar nossos filhos em um molde idealizado por nós. No nosso tempo, mal sabíamos que – num futuro tão próximo – haveria alguma coisa semelhante ao mundo que temos hoje à nossa volta. Assim o “molde” que se acreditava ser perfeito 20 anos atrás, certamente, não atende às formas exigidas do tempo atual.

Então, com qual bem – que não seria roído pelas traças nem roubado pelos ladrões – eles deveriam ser cumulados?

Da relação familiar, a simplicidade da amizade entre pais e filhos fará refletir na vida deles atitudes equilibradas e de responsabilidade. Mesmo que eles tenham se formado nas melhores faculdades ou estejam trabalhando nas melhores empresas – se não tiverem experimentado a singeleza de se sentirem amados não poderão viver o ato de amar.  Esse é o legado que os filhos esperam receber em casa.

Um dia, nossos filhos estarão sentados com os seus filhos [nossos netos] contando histórias de suas histórias. Num passado vivo em seus corações ainda ecoará os sons das convivências em família, regadas de amor nas conversas, brincadeiras e gestos, que tinham como objetivo estampar um sorriso em seus lábios. Saberão que foram amados, pois aquele que detinha a autoridade em casa estava sempre na posição de servo, a serviço de suas necessidades.

Deus, sabendo daquilo que nos seria necessário, presenteou-nos com os filhos. Ainda que estes possam, por algumas vezes, parecer um fardo difícil de levar, a presença deles será para os pais o braço forte e o fôlego a mais para conquistar a vitória de uma vocação – a paternidade.

Vale a pena não desistir daquilo em que acreditamos!

Outros artigos sobre o mesmo tema.

Um abraço

Dado Moura


Os anjos do volante

julho 23, 2007

tans_000txt.jpgA realização de um grande sonho de consumo se materializa quando surge a oportunidade de se comprar um carro. Não interessa se é um daquele tipo que já está isento do pagamento do IPVA, um modelo 1.0 ou um outro modelo que exigirá o pagamento do imposto correspondente a alguns salários mínimos.

Atrás de um volante, muitos motoristas parecem ser transformados. Mesmo não sendo “motoristas mutantes”, quando no trânsito são vítimas de uma fechada ou perdem a vaga de um estacionamento, facilmente colocam as “garras de fora”. Aqueles, que antes pareciam tão centrados emocionalmente, agora demonstram reações contrárias ao seu comportamento usual nessas situações. Em alguns casos, muitos fazem de seus veículos uma arma, disparando em alta velocidade, e tirando a vida de outros ou os matando ao atentar verbalmente contra a sua moral. Infringindo, assim, contra o primeiro mandamento dos motoristas: Não Matar!

O acúmulo de compromissos ou a falta de prudência faz muitos condutores disputarem cada centímetro do asfalto, deixando a educação acontecer numa outra ocasião. Na pressa contra os segundos, colocam em risco a sua própria vida e a de terceiros, esquecendo-se de que a estrada deve ser forma de comunhão entre pessoas e não arma mortal.
Muitas outras surpresas desagradáveis poderão estar reservadas no trânsito, e a direção defensiva é o antídoto para combater ou minimizar os riscos de um futuro aborrecimento. Cortesia e prudência ajudarão a lidar com os imprevistos. Nos tempos em que a insegurança nos assola, os carros ganham filmes escuros nos vidros e temos a impressão de que a película protetora, muitas vezes, embala também a solicitude dos corações de alguns motoristas, tornando-os indiferentes a ponto de faltar com a ajuda ao vizinho necessitado, especialmente vítimas de acidentes.

A busca pelo avivamento de nossas virtudes deverão ser sempre as primícias de nossos relacionamentos. Contudo, existem muitas pessoas ávidas por uma oportunidade de se impor, de alguma maneira, sobre as demais. Para alguns corações desatentos, a ânsia pelo poder alimenta, sorrateiramente, os ânimos fazendo com que tudo se transforme em sinônimo de glória. Não obstante, o valor de um automóvel e suas qualidades podem ser expressão de poder e dominação, e uma ocasião para pecar.

A sensação de poder e o sabor inebriante da liberdade podem fazer com que jovens e adultos inaptos à prática da direção ousem a assumir a função de motorista. Convencer jovens e os não tão jovens a não dirigirem quando não estão aptos a fazê-lo deve ser o compromisso daqueles que dizem amá-los. Pois muitos motoristas incapacitados ou sem condições físicas para dirigir dificultam a vida de outras pessoas inocentes, provocando tragédias. O mínimo que poderíamos fazer ao presenciá-las, ao invés de parar apenas como observadores curiosos, seria apoiar as famílias de vítimas de acidentes sendo solícitos em suas necessidades momentâneas.

Dos grandes aos pequenos acidentes de trânsito é muito comum se presenciar discussões. Nem sempre são relevantes os motivos que alteram os ânimos dos motoristas fazendo-os digladiar com palavras de forma a humilhar o seu semelhante. Cabe a outros motoristas, distanciados da situação, procurar prestar socorro e acalmar os mais exaltados, aproximando o motorista culpado e a vítima para propiciar o perdão.

Se em cada novo motorista habilitado houver o desejo de aplicar nas estradas o senso de proteção e zelo para os mais vulneráveis, respeitando as oportunidades de ultrapassagens seguras e não se valendo do tamanho ou peso de seus veículos sobre os carros de passeio, certamente, nossas estradas se transformarão em grandes veredas, pelas quais cada um que por elas trafegar poderá se sentir responsável pelo seu próximo.
Busquemos cultivar e viver as nossas responsabilidades como intercessores motorizados.

Um abraço a todos. Nós nos veremos no próximo cruzamento!

Dado Moura

Artigo produzido a partir dos Mandamentos para Motoristas, criados pelo Vaticano para promover mais segurança nas estradas. Neste texto, tomei a liberdade de apresenta-los em sua ordem original destacado-os em negrito.


Pais, um espelho para os filhos

julho 18, 2007

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Mais que um canal de provisão, somos modelo de comportamento.

Ao observarmos as brincadeiras de nossos filhos, muitas vezes, vamos nos surpreender com a fiel representação daquilo que, sem perceber, costumamos fazer. Sem muito esforço, perceberemos que até a nossa maneira de falar, gesticular ou de nos comportar são fielmente reproduzidos pelas nossas crianças como se estivéssemos vendo a nossa versão em miniatura.


Podcast


As brincadeiras dos meninos, frequentemente, estão representando as responsabilidades dos pais, através de um personagem que sai para trabalhar de carro, de ônibus ou a pé. As meninas são normalmente as mães que se dedicam a manter a casa arrumada, a preparar a comida, a cuidar do bebê… Em outros casos, certamente, esses personagens podem ganhar um outro “script” como uma mulher empresária, uma professora, médica, entre outros. Tudo dependendo da realidade da família da qual as crianças fazem parte e de sua fértil imaginação. Em algumas circunstâncias, os pais poderão ouvi-las repreendendo suas “filhinhas” com as mesmas palavras que comumente elas são, também, repreendidas. A partir desses fatos, desejo que nenhum pai tenha o desprazer de assistir suas crianças esbofeteando suas bonecas!

Se analisarmos um pouco, facilmente perceberemos que muitos dos nossos valores foram adquiridos por meio do testemunho de nossos pais. Mais que um canal da provisão em casa, eles projetavam, em casa, um modelo de comportamento. Ainda que não tivéssemos contemplado somente seus acertos,  diante daqueles erros os quais testemunhavamos ou fomos vitimas, em nossa decisão infanto-juvenil, “intencionávamos” ser diferentes e assim, não repetir as infelizes atitudes com os nossos próprios filhos.

Hoje, temos a graça de “consertar” em nós algumas coisas que vivemos e experimentamos no passado como filhos; para que mais uma geração não venha a sofrer as mesmas dores. Sem dúvida, mais que super-heróis, os pais são, para os filhos, os modelos mais próximos que lhes transmitirão o senso de responsabilidade, respeito, idoneidade, espiritualidade, entre outros. Acredito ser muito difícil a cobrança de um determinado comportamento, quando os pais não foram os canais para alguns desses valores.

Assim como lembramos os gestos de nossos pais, lembramo-nos também dos momentos em que não seguimos, tão retamente, o que nos foi ensinado. “Os acidentes de percurso”, dificuldades e algumas crises na educação de nossos próprios filhos,  também vamos enfrentar.
A certeza que podemos acalentar é que os valores fecundados na essência de nossas crianças são irrevogáveis e, certamente, serão transmitidos para outras gerações, que seguramente, não chegaremos a contemplar. A nossa pequena família é um espelho de formação para outras e poderá ser a graça estendida até a nossa milésima geração.

Deus abençoe a semente de uma nova geração que começa em cada família.

Dado Moura


O respeito sem medo

julho 4, 2007

filhotxt1.jpgPor muito tempo, a educação dos filhos ficava essencialmente a cargo das mães. Além das atividades domésticas, nossa mãe se dividia também em professora e mestra. Muitos de nós somos resultados dessa “maternal” formação. Os tempos mudaram, e notamos que em muitos lares essa situação já ganhou outra tônica.

Como característica das famílias do século XXI, encontramos um maior envolvimento das mães no mercado de trabalho. Com isso, exigiu de nós, pais, uma participação mais direta na educação dos filhos. Nos finais de semana, tornou-se mais comum ver pais empurrando os carrinhos de seus bebês. As reuniões de pais e mestres que, anteriormente, contava com a participação das mães, pouco a pouco, vem ganhando maior número de pais que buscam se inteirar da vida escolar de seus filhos.

Percebo o quanto é importante para a criança notar o interesse do pai por ela, em seus afazeres, suas brincadeiras e, de maneira especial, em sua vida escolar. Nessa convivência não ficará difícil perceber que nossas crianças aprenderam a argumentar com a eloqüência pertinente à idade delas, sabendo apresentar suas razões na tentativa de nos convencer em determinada situação. Hoje, fazendo uma avaliação do comportamento de nossas crianças é possível notar que quanto maior for o nosso envolvimento paternal na vida delas, tanto maiores serão a segurança, a confiança e o equilíbrio de suas emoções. Pois quem de nós não gosta de ser notado pelo outro?

Infelizmente, algumas pessoas ainda insistem em obter o controle da situação impondo-lhes o medo, no sentido de intimidá-las. Acredito que para uma criança, a vantagem da educação equilibrada e em conjunto, – ou seja, entre pais e mães –, coloca sob o mesmo nível a autoridade e respeito de ambos; deixando cair por terra a frase que muitos de nós já ouvimos: “Quando seu pai chegar, ele vai saber disso! Aí você vai ver!”

Que objetivo alguém poderia lucrar com técnicas desse tipo?

Na verdade, se a criança viesse a corrigir seu próprio comportamento com esse tipo de atitude, estaria o fazendo não por respeito, mas por medo daquele que, no seu entendimento infantil, detém maior autoridade.

Talvez o grande desafio para muitos pais – ao perceber que ainda há uma distância no relacionamento entre eles e os filhos – será o de romper a barreira invisível da autoridade: conquistada por meio da “cara carrancuda”. Um bom início seria começar a se interessar pela vida dos filhos, de modo que os laços de amizade cresçam onde brotaram, indevidamente, as “ervas” do autoritarismo ou da intimidação. Pois ninguém jamais vai comentar sobre suas inseguranças ou projetos para alguém de que não se sente amigo.

É claro que com o passar do tempo e com o crescimento de nossas crianças, suas justificativas e argumentos a respeito de seus próprios projetos tenderão a ser cada vez mais fortes. Entretanto, com a conquista do respeito, que cabe aos pais obterem, da segurança e confiança dos filhos, será mais fácil alcançar o entendimento e equilíbrio diante das situações que poderão nos fazer prender a respiração ou que nos pareçam adversas.

Deus abençoe a todos nós, pais, e eternos aprendizes.

Dado Moura


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