A amizade em estado de alerta

janeiro 5, 2008

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Quanto maior for a confiança mútua, tanto maior será o enriquecimento de nossos relacionamentos.

Todos nós temos diferentes graus de amizades e sabemos que a partir desse primeiro nível de relacionamento outros sentimentos poderão aflorar. A palavra “amizade” é definida pelo dicionário como fielafeição, simpatia, estima ou ternura entre as pessoas que geralmente não estão ligadas por laços de família. Ao estabelecermos fortes vínculos com pessoas, que não foram educadas sob os mesmos princípios nossos – identificando-nos com elas e as considerando dignas de confiança – nasce a amizade.


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Quem conquistou uma verdadeira amizade, deposita e acredita na integridade do amigo a ponto de destacar suas qualidades dentre outras pessoas conhecidas. Tornamo-nos mais próximos à medida que se desenvolvem os laços de amizade.
Sem medo, fazemos dessa pessoa uma fiel depositária dos nossos sonhos, partilhamos nossas necessidades, dores, crises e choramos, juntos, se for preciso. Sentimo-nos amados e correspondemos a esse amor manifestando também o nosso carinho por esta pessoa.

Quanto maior for a confiança mútua, tanto maior será o enriquecimento de nossos relacionamentos. Embora possam surgir algumas desavenças, uma amizade verdadeira resistirá às situações de dificuldade. Entretanto, a credibilidade, que se tem por alguém, desaparece quando aquilo que pensávamos ter sido verdadeiro é descoberto como uma farsa, mentira ou uma maquinação para se tirar, de alguma maneira, proveito do relacionamento estabelecido.
Se a confiança mútua enriquece e fortalece nossos vínculos, a desconfiança nos faz ficar em constante “estado de alerta”, tanto por parte de quem causou a situação como para quem foi vítima dela. Como se costuma dizer: estaremos sempre dormindo com um olho abertoe outro fechado quando estivermos perto dessa pessoa.

Quando alguém sofre algum tipo de decepção, mesmo que seja em ambiente de trabalho, dificilmente as pessoas quererão integrar em uma mesma equipe com quem a causou. Imaginemos a dificuldade do convívio, se a confiança for abalada, dentro de um relacionamento mais estreito em que o casal faz planos para o futuro ou entre sócios de um empreendimento?

Uma vez desconfiados, como poderemos partilhar aquilo que consideramos importante com alguém que rompeu um tratado de “cumplicidade”?
Por mais que este insista em dizer que se corrigiu e que mudou seu comportamento, para a pessoa, que se sentiu enganada, restará a dificuldade em viver a mesma cumplicidade de antes.

Diante da triste experiência, percebemos não ter escolhido a pessoa certa para depositarmos nossa confiança. Reconhecer nosso erro, por alguma coisa que não deu certo com determinada pessoa, é uma virtude. Das amargas experiências vividas nos relacionamentos, aprendemos que há uma grande diferença entre um verdadeiro amigo e um conhecido.

Para se viver a cumplicidade necessária dentro de qualquer relacionamento, seja este comercial ou não, a confiança é fundamental. Se acreditamos no provérbio que diz sobre o tesouro que se tem aquele que encontrou um amigo, vale a pena garimpar atentamente para se alcançar tal riqueza e evitar maiores aborrecimentos.

Leia tambem: A amizade que “sub-trai”

Um abraço,

Dado Moura


Da paquera à traição

abril 30, 2007

paquera.jpgPensar na possibilidade de que a pessoa com quem nos relacionamos está vivendo um “affair” pode nos causar calafrios na espinha. Ainda que seja apenas uma piscadinha ou uma olhadinha, isso não deve ter espaço dentro da relação compromissada entre os casais; sejam eles casados ou namorados. Facilmente, um ato aparentemente inocente, pode favorecer uma atmosfera para se iniciar a traição, se a outra pessoa corresponder favoravelmente à primeira atitude.

O sentimento de “ainda provocar suspiros” pode estimular tanto homens como mulheres, fazendo com que se sintam atraentes, charmosos, bonitos e até pensar que mantêm ainda latente a arte do encantamento.


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Ninguém está totalmente imune a essas tentações relacionadas com o sexo oposto. “Quem brinca com fogo pode se queimar” já diz o ditado popular. A imunidade contra este mal não existe, por isso, se um “dragão de sete cabeças” estiver rondando nossos relacionamentos, será necessário não alimentar qualquer tipo de atitude que possa fortalecer suas forças destruidoras. Infelizmente, sabemos de pessoas que estão cultivando esse tipo de “monstro”, ainda que seja um “filhote”, aparentemente inofensivo. Contudo, devemos considerar que este crescerá ao ritmo das paixões desenfreadas.

Quando decidimos viver um relacionamento, assumimos vive-lo sob os mesmos laços de sentimentos. Estamos diretamente ligados e comprometidos por meio da confiança e do respeito mútuo. Qualquer pensamento ou atitude que fira os laços de compromissos, provocará um grande desconforto e abalará nossas estruturas.

Se uma crise pode abalar casais de namorados quando estes vivem tal situação, imaginemos quais seriam seus efeitos na vida conjugal, em que os laços de confiança, respeito e responsabilidade não se limitam apenas entre o casal, mas se estendem até os filhos.

Se houver a confirmação de uma relação extraconjugal, ficamos a imaginar em que poderíamos ter errado, no que estamos falhando, o que fulano (a) tem que atrai nosso (a) cônjuge, etc. Ainda neste “caldeirão” de sentimentos feridos e de ciúme, pensamos na vergonha e como enfrentaremos a situação diante dos filhos, da família, amigos e de todos aqueles que fazem parte do nosso círculo de amizade.

Crises e dificuldades vividas ao longo da vida conjugal não são poucas e tampouco deixarão de existir. Talvez, sejam inúmeras as justificativas que poderíamos discorrer na tentativa de justificar um ato de adultério, mas antes que isso aconteça, melhor seria ressaltar aqueles motivos que nos imbuiu a viver uma vida a dois, os quais, foram ratificados pelo sacramento do matrimônio. Entretanto, sem o desejo de revitalizar os laços conjugais na sua plenitude, a busca por uma realização fora do casamento, puramente por prazer ou fuga, se tornará uma busca interminável.

A superação de cada momento de crise acontecerá quando ambos assumirem que há um Deus apaixonado por cada um deles e que por Sua vontade os uniu em corpo e alma. A beleza dos frutos desse sacramento está na força restauradora que revitaliza os casais de coragem e atualiza suas consciências a respeito dos projetos que têm a realizar na vida conjugal.

Ainda que haja, numa relação extraconjugal, a aparente união física na intimidade entre quatro paredes, não haverá e nem terá como acontecer a celebração da comunhão de corpo e alma, que alegra o espírito.

Deus nos abençoe.

Dado Moura


A dificuldade da reaproximação

abril 23, 2007

ilhas.jpgÉ verdade que somente nos desentendemos com aqueles que realmente convivemos

Ninguém gostaria de viver tendo apenas uma pessoa como amiga, pois, sabemos que quanto maior o nosso círculo de amizades, maiores serão as oportunidades do aprendizado a partir da vivência com cada um deles. Às vezes, preferiríamos viver numa ilha, isolados de tudo e de todos, especialmente, quando experimentamos as asperezas dos desentendimentos, comuns e pertinentes, em nossas amizades.
Quem se abre aos relacionamentos deverá estar sempre disposto a resgatar a saúde do convívio, mesmo quando inúmeras situações indiquem como válvula de escape, a facilidade da fuga. leia mais



Acertando com os nossos erros

março 22, 2007

quebracabeca.jpgNem sempre é fácil assumir a responsabilidade de nossos atos ou reconhecer nossas atitudes, quando estas foram dolorosas ou tiveram consequências desastrosas. Na tentativa de fazer o que intencionávamos e julgávamos ser o melhor, às vezes, acabamos fazendo o que não queríamos. E diante dos resultados desastrosos de nossas escolhas, muitas vezes, caímos na tentação de evitar assumir as responsabilidades de nossas próprias opções. Talvez, por vergonha de termos sido derrotados pelos nossos próprios planos ou, em muitas outras situações, na tentativa de preservar a auto-imagem, ousamos ocultar nosso fracasso para não parecer incapacitados diante das pessoas.

Em outras ocasiões, envolvidos por uma situação de estresse, tomamos os pés pelas mãos. Em uma discussão, falamos o que não deveríamos ou agimos de maneira desenfreada. Atropelando o autocontrole e amordaçando a educação, destilamos nosso veneno e raiva sobre a outra pessoa ou abusamos da força e do poder para repreender qualquer possível contestação ou reação.

Mais tarde, após a retomada da compostura, a vergonha de enfrentar as pessoas – depois de ter vivido o fracasso –, muitas vezes, nos fazemos de dissimulados.

Por várias ocasiões, já vivemos situações, que, analisadas a partir de nosso ponto de vista, seriam aparentemente sem solução. Quantos “novos pais” estão enfrentando problemas com seus filhos; e casamentos de pouco tempo vivem às margens de uma dissolução, entre outros exemplos. Entretanto, quando abrimos a guarda e o coração para buscar ajuda – com alguém mais maduro, sobre o que estamos vivendo –, nos abrimos à possibilidade de alcançar o sucesso por nós pretendido. Vale a pena lembrar que buscar ajuda não significa “fofocar”. A intenção daquele que busca socorro está em partilhar como quem relata uma situação adoecida para alguém que já esteve também “infectado” e alcançou a cura.

Bom seria se fizéssemos somente boas escolhas; entretanto, se evitarmos assumir as responsabilidades de nossos erros, pouco minimizaremos as consequências destes, assim como esta atitude não nos isentará de futuros equívocos. Nossos erros são os sinalizadores de que, quando aceitos como “feedbacks”, nos fazem sair mais bem preparados para evitar a reincidência. Se não conseguimos aprender a partir deles, acredito que dificilmente saberemos assumi-los e aproveitá-los para acertar numa outra ocasião.

Reconhecer nossa atitude equivocada, ou se fazer necessitado de ajuda, seria a atitude mais sensata para se obter o crescimento pessoal e a correção do nosso comportamento.

Quem muito viveu, muito tem a ensinar. Acolher as experiências e conselhos dessas pessoas – nas quais confiamos e que já passaram por muitas outras situações – favorecerá o nosso aprendizado.

Um abraço

Dado Moura



O martírio da reconciliação

fevereiro 16, 2007

Celebramos durante o ano momentos que a Igreja nos apresenta oficio de memória por aqueles que derramaram o sangue em defesa da verdadeira fé.
A Escritura Sagrada relata o martírio de muitos santos que suportaram bravamente as conseqüências de suas convicções.
Para nós, muitas vezes, a idéia de viver o martírio de sangue nos assusta.

Poderíamos suportar as mesmas provas que suportaram os irmãos Macabeus (cf. 2 Macabeus 6,18-31)? Ou ainda o martírio de São Lourenço, que sendo amarrado, foi assado ainda vivo?


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Todas essas mensagens nos apontam como resultado a elevação dos martirizados aos altares. Tão desafiante quanto foi para os primeiros cristãos professar sua fé a ponto de sangue, faz-se necessário para nós viver um martírio tão exigente quanto aquele primeiroem nossos relacionamentos.
Nos dias atuais os algozes de nossos relacionamentos se disfarçam em atitudes egoísticas, prepotentes, autoritárias ou de completa indiferença. Defendidas em favor da necessidade de uma ‘sobrevivência’, são equivocadamente consideradas inerentes à nossa própria personalidade, as vezes conformista, justamente quando o convívio se desestabiliza. Podemos correr o risco de nos defender através de desculpas como, por exemplo: – “Sou assim mesmo! Quando me conheceram eu já era assim!, Que me amem como sou! Etc..etc”.

Os algozes de nossos relacionamentos, nos forçam a viver atitudes que tendem a nos fazer abdicar de certos princípios que elevam a saúde de nossos relacionamentos e os fazem eternizá-los.
Sem a pressa de derramar nosso sangue, esses algozes, drenam pouco a pouco de nossos relacionamentos, valores como solidariedade, compreensão, amizade, afinidade… Conduzindo-nos de maneira inteligente, sem perceber, estaremos abrindo mão dos preciosos valores em nome da urgência secular e da ‘esperteza’.

Podemos até nos permitir ceder, por fraqueza, a este novo ensinamento, defendendo como causa o fato de ser o mundo dos mais espertos.
Antes mesmo de pensarmos na possibilidade de um remoto martírio de sangue, e longe das ‘desculpinhas’ defendendo nossas tendências humanas, fixemos nossos propósitos na aceitação da urgência presente de todos os níveis de nossos relacionamentos.
Desta maneira, estaremos nos oferecendo ao martírio cotidiano do amor para cada momento que nos colocamos a viver o perdão e a reconciliação exigida para todos aqueles que aspiram por sadios relacionamentos.

Deus abençoe seus relacionamentos, um abraço

Dado Moura


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