O legado de um pai

setembro 5, 2007

legadotxt.jpgÀ primeira vista, quando se pensa na paternidade, podemos considerar alguém que está à frente de uma família sendo o provedor de suas necessidades; pelo menos, no mínimo daquilo que se é exigido. Muitas são as tarefas daqueles que, porque geraram, tornaram-se educadores por natureza. Talvez, se compararmos todos os atributos necessários aos pais, a capacidade de gerar poderia ser classificada como a mais fácil entre todas as demais.

Certamente, educar e formar um novo homem não é uma tarefa fácil. É certo que um dia nossas crianças aprenderão a correr, a andar de bicicleta e, no tempo particular de cada uma, aprenderão tudo o que está nos livros. Saberão discernir o norte do sul, aprenderão a tabuada, navegarão pela Internet com a facilidade de quem já nasceu inserido num mundo globalizado…

No processo de crescimento natural, nossos filhos caminharão, a cada dia, mais longe do “ninho” de onde nasceram. Desvendando os mistérios de um mundo novo, viverão as alegrias que a vida proporciona e também experimentarão os “eclipses”, os quais terão de aprender a superá-los. Serão momentos únicos para cada um, assim como o foram também para nós, os quais ninguém poderá assumir por eles a vez!

Poupá-los dos sofrimentos e prepará-los para enfrentar as suas próprias dificuldades será sempre o desejo dos pais. Entretanto, seria inútil tentar encaixar nossos filhos em um molde idealizado por nós. No nosso tempo, mal sabíamos que – num futuro tão próximo – haveria alguma coisa semelhante ao mundo que temos hoje à nossa volta. Assim o “molde” que se acreditava ser perfeito 20 anos atrás, certamente, não atende às formas exigidas do tempo atual.

Então, com qual bem – que não seria roído pelas traças nem roubado pelos ladrões – eles deveriam ser cumulados?

Da relação familiar, a simplicidade da amizade entre pais e filhos fará refletir na vida deles atitudes equilibradas e de responsabilidade. Mesmo que eles tenham se formado nas melhores faculdades ou estejam trabalhando nas melhores empresas – se não tiverem experimentado a singeleza de se sentirem amados não poderão viver o ato de amar.  Esse é o legado que os filhos esperam receber em casa.

Um dia, nossos filhos estarão sentados com os seus filhos [nossos netos] contando histórias de suas histórias. Num passado vivo em seus corações ainda ecoará os sons das convivências em família, regadas de amor nas conversas, brincadeiras e gestos, que tinham como objetivo estampar um sorriso em seus lábios. Saberão que foram amados, pois aquele que detinha a autoridade em casa estava sempre na posição de servo, a serviço de suas necessidades.

Deus, sabendo daquilo que nos seria necessário, presenteou-nos com os filhos. Ainda que estes possam, por algumas vezes, parecer um fardo difícil de levar, a presença deles será para os pais o braço forte e o fôlego a mais para conquistar a vitória de uma vocação – a paternidade.

Vale a pena não desistir daquilo em que acreditamos!

Outros artigos sobre o mesmo tema.

Um abraço

Dado Moura


Meu primeiro mestre

agosto 7, 2007

pai.jpgA formação de um homem começou quando este, ainda menino, se colocava atento como um discípulo-mirim, aos movimentos e expressões faciais do seu mestre que sempre tinha uma solução para todas as coisas. Consertava relógios, carros, fazia instalações elétricas, construía até casas! Sem conhecer de música, ingressou na banda do exército para garantir melhores condições de vida para aqueles que Deus lhe havia confiado. Concluia o curso ginasial noturno, enquanto aprendia a ler as partituras por conta própria; e mesmo sem instrumento musical estudava e treinava apenas com o bocal de uma tuba.

O que seria impossível para ele realizar, se entendia de tudo? Esse era o pensamento do menino…

Certamente, devido à urgência das necessidades o obrigasse, por muitas vezes, a dar passos maiores do que aqueles que o menino pudera acompanhar. Exigia-se do menino um raciocínio sempre projetado à próxima ação lógica…entretanto, o pequeno discípulo não poderia perder os ensinamentos, pois o tempo não permitiria “aulas de reforço” nem tampouco o dispensaria das “sabatinas da vida”.

O menino cresceu, tornou-se adolescente e hoje, de discípulo passou a ser mestre. Relembrando todos os momentos vividos, pode-se registrar em quantidades múltiplas as qualidades de seu mestre se comparadas aos seus erros. Tal como a água que escorre por um fio de lã, escorria-lhe a hombridade para sua prole.

Ações semelhantes, certamente, são repetidas em muitos outros lares, onde pais que assumiram verdadeiramente o peso e a responsabilidade do seu báculo conduzem sua igreja particular na simplicidade de quem traz nas mãos os calos, e no olhar o vislumbre da verdade que ainda, seus filhos, não chegaram a entender.

Meu pai é show!

Dado Moura


Pais, um espelho para os filhos

julho 18, 2007

6152txt.jpg

Mais que um canal de provisão, somos modelo de comportamento.

Ao observarmos as brincadeiras de nossos filhos, muitas vezes, vamos nos surpreender com a fiel representação daquilo que, sem perceber, costumamos fazer. Sem muito esforço, perceberemos que até a nossa maneira de falar, gesticular ou de nos comportar são fielmente reproduzidos pelas nossas crianças como se estivéssemos vendo a nossa versão em miniatura.


Podcast


As brincadeiras dos meninos, frequentemente, estão representando as responsabilidades dos pais, através de um personagem que sai para trabalhar de carro, de ônibus ou a pé. As meninas são normalmente as mães que se dedicam a manter a casa arrumada, a preparar a comida, a cuidar do bebê… Em outros casos, certamente, esses personagens podem ganhar um outro “script” como uma mulher empresária, uma professora, médica, entre outros. Tudo dependendo da realidade da família da qual as crianças fazem parte e de sua fértil imaginação. Em algumas circunstâncias, os pais poderão ouvi-las repreendendo suas “filhinhas” com as mesmas palavras que comumente elas são, também, repreendidas. A partir desses fatos, desejo que nenhum pai tenha o desprazer de assistir suas crianças esbofeteando suas bonecas!

Se analisarmos um pouco, facilmente perceberemos que muitos dos nossos valores foram adquiridos por meio do testemunho de nossos pais. Mais que um canal da provisão em casa, eles projetavam, em casa, um modelo de comportamento. Ainda que não tivéssemos contemplado somente seus acertos,  diante daqueles erros os quais testemunhavamos ou fomos vitimas, em nossa decisão infanto-juvenil, “intencionávamos” ser diferentes e assim, não repetir as infelizes atitudes com os nossos próprios filhos.

Hoje, temos a graça de “consertar” em nós algumas coisas que vivemos e experimentamos no passado como filhos; para que mais uma geração não venha a sofrer as mesmas dores. Sem dúvida, mais que super-heróis, os pais são, para os filhos, os modelos mais próximos que lhes transmitirão o senso de responsabilidade, respeito, idoneidade, espiritualidade, entre outros. Acredito ser muito difícil a cobrança de um determinado comportamento, quando os pais não foram os canais para alguns desses valores.

Assim como lembramos os gestos de nossos pais, lembramo-nos também dos momentos em que não seguimos, tão retamente, o que nos foi ensinado. “Os acidentes de percurso”, dificuldades e algumas crises na educação de nossos próprios filhos,  também vamos enfrentar.
A certeza que podemos acalentar é que os valores fecundados na essência de nossas crianças são irrevogáveis e, certamente, serão transmitidos para outras gerações, que seguramente, não chegaremos a contemplar. A nossa pequena família é um espelho de formação para outras e poderá ser a graça estendida até a nossa milésima geração.

Deus abençoe a semente de uma nova geração que começa em cada família.

Dado Moura


O respeito sem medo

julho 4, 2007

filhotxt1.jpgPor muito tempo, a educação dos filhos ficava essencialmente a cargo das mães. Além das atividades domésticas, nossa mãe se dividia também em professora e mestra. Muitos de nós somos resultados dessa “maternal” formação. Os tempos mudaram, e notamos que em muitos lares essa situação já ganhou outra tônica.

Como característica das famílias do século XXI, encontramos um maior envolvimento das mães no mercado de trabalho. Com isso, exigiu de nós, pais, uma participação mais direta na educação dos filhos. Nos finais de semana, tornou-se mais comum ver pais empurrando os carrinhos de seus bebês. As reuniões de pais e mestres que, anteriormente, contava com a participação das mães, pouco a pouco, vem ganhando maior número de pais que buscam se inteirar da vida escolar de seus filhos.

Percebo o quanto é importante para a criança notar o interesse do pai por ela, em seus afazeres, suas brincadeiras e, de maneira especial, em sua vida escolar. Nessa convivência não ficará difícil perceber que nossas crianças aprenderam a argumentar com a eloqüência pertinente à idade delas, sabendo apresentar suas razões na tentativa de nos convencer em determinada situação. Hoje, fazendo uma avaliação do comportamento de nossas crianças é possível notar que quanto maior for o nosso envolvimento paternal na vida delas, tanto maiores serão a segurança, a confiança e o equilíbrio de suas emoções. Pois quem de nós não gosta de ser notado pelo outro?

Infelizmente, algumas pessoas ainda insistem em obter o controle da situação impondo-lhes o medo, no sentido de intimidá-las. Acredito que para uma criança, a vantagem da educação equilibrada e em conjunto, – ou seja, entre pais e mães –, coloca sob o mesmo nível a autoridade e respeito de ambos; deixando cair por terra a frase que muitos de nós já ouvimos: “Quando seu pai chegar, ele vai saber disso! Aí você vai ver!”

Que objetivo alguém poderia lucrar com técnicas desse tipo?

Na verdade, se a criança viesse a corrigir seu próprio comportamento com esse tipo de atitude, estaria o fazendo não por respeito, mas por medo daquele que, no seu entendimento infantil, detém maior autoridade.

Talvez o grande desafio para muitos pais – ao perceber que ainda há uma distância no relacionamento entre eles e os filhos – será o de romper a barreira invisível da autoridade: conquistada por meio da “cara carrancuda”. Um bom início seria começar a se interessar pela vida dos filhos, de modo que os laços de amizade cresçam onde brotaram, indevidamente, as “ervas” do autoritarismo ou da intimidação. Pois ninguém jamais vai comentar sobre suas inseguranças ou projetos para alguém de que não se sente amigo.

É claro que com o passar do tempo e com o crescimento de nossas crianças, suas justificativas e argumentos a respeito de seus próprios projetos tenderão a ser cada vez mais fortes. Entretanto, com a conquista do respeito, que cabe aos pais obterem, da segurança e confiança dos filhos, será mais fácil alcançar o entendimento e equilíbrio diante das situações que poderão nos fazer prender a respiração ou que nos pareçam adversas.

Deus abençoe a todos nós, pais, e eternos aprendizes.

Dado Moura


Nossos filhos estão criando asas

junho 13, 2007

5681txt.jpgRemontando a nossa história, quando crianças, lembramos das muitas vezes em que tivemos nossa mãe presente, para nos ajudar a resolver os pequenos impasses do nosso cotidiano. Era comum recorrer à sua ajuda em todos os nossos desafios.

Nos dias atuais, essa característica já não é tão forte para a nova geração. Sabemos que o novo ritmo imposto pelo mundo tem ditado, também, um novo comportamento familiar. Muitas famílias contam com a provisão não somente do marido, mas também com a da contribuição feminina. Não temos dúvidas da versatilidade das mulheres para manter a casa e ainda ocupar seu lugar no mercado de trabalho. (conf. O peso de uma realização)

Para toda ação há uma reação. De todos os benefícios obtidos para o lar, com a participação das mães de família no mercado de trabalho, houve também uma reação no comportamento dos filhos que começaram a ter as creches como extensão de suas casas. Atualmente essas se caracterizam pela especialização no melhor atendimento para uma clientela que, mesmo sem saber falar ou reclamar seus direitos, tem os critérios dos pais na exigência dos serviços prestados para ela.

Se compararmos o nosso comportamento de infância com o das crianças do século XXI, perceberemos uma grande desenvoltura destas, talvez, por iniciarem em tenra idade o exercício da convivência social. Com o passar do tempo, nossas crianças cresceram e assumiram novos posicionamentos de opiniões e desejos. O senso de decisão e a perspicácia para o novo são notórios e, muitas vezes, o senso de independência também aparece mais cedo para esta nova geração.

As crianças e adolescentes do século XXI já não são tão dependentes para escolher uma roupa ou para decidir o que comer. O que antes era resolvido pelos pais, agora, pouco a pouco, tem se manifestado como sinal de maturidade, ainda que sejam pequenos.

Talvez, por terem enfrentado muito cedo situações que facilmente os pais resolveriam por eles, esses filhos, hoje, já vivem certa “independência”. Tornaram-se adolescentes “resolvidos” e suas opiniões poderão ser facilmente confundidas pelos pais como “desobediência”. Entretanto, no exercício dessa liberdade, certas escolhas ou procedimentos deles [filhos] podem conflitar com os princípios defendidos pela família.

Digerir uma situação que os filhos – já crescidos – insistem em vivê-la, mesmo contraria à vontade de seus pais, é uma tarefa difícil para os genitores, talvez, mais difícil que sustentar a própria casa. Para nós, pais, creio que respeitar as opções deles não significa estar de acordo ou aprová-las. Os filhos precisam conhecer as razões que levaram os pais a se manifestarem desfavoravelmente ao que tinham optado por viver ou experimentar.

Ainda que nossos filhos possam estar criando asas, é sempre bom recordá-los de que o vínculo e a tranqüilidade familiar sempre serão o “porto seguro” onde poderão restabelecer suas forças, e o “laboratório” onde aprenderão a conquistar o amadurecimento pessoal. Por mais resolvidos que possam se achar, ainda não conseguem vislumbrar o que foi encarado pelos mais velhos.

Que Deus nos ajude a viver esse ministério. Abraços.

Dado Moura


A mudança começa nos pais!

maio 13, 2007

bote.jpgDeus concedeu aos pais o privilégio de iniciar uma geração com o nome da família. Uma geração, personalizada, que terá sua fama conhecida nas ruas, bairros, cidades, quem sabe, no mundo…Em contrapartida, responsabilidades não faltarão para aqueles que responderam ao chamado da paternidade.

Antes de nos tornarmos pais, vivemos a experiência de ser filhos. Experimentamos o conforto de esperar dos pais a providência para todas as coisas. Dentro da limitação e dos “apuros” financeiros que eles viveram, nem sequer tomávamos conhecimento.
Na nossa historia de filhos, certamente, tivemos outras experiências, que nos fizeram sofrer, talvez pela dificuldade de nossos pais ao acesso à informação, capacitação, ou, até mesmo do medo deles se abrirem para a busca de ajuda com pessoas mais experientes. Comisso, talvez, muitos filhos provaram dos amargos momentos de rispidez que não desejamos levar adiante, agora, como pais.

Embora tenhamos conhecimento dos erros cometidos, involuntariamente, por eles, começa em nós a busca de ser diferente, a fim de favorecer e resguardar a harmonia, a paz dentro do nosso “reino” e evitar atitudes que poderiam facilmente nos distanciar do sadio entrosamento. Com a chegada de alguém que, sem medo de incomodar, nos acordará por inúmeras vezes durante a noite e em outros momentos, mesmo ainda embalado no sono, não hesitará de fazer xixi em nossa roupa limpa; uma profunda transformação acontecerá, não somente no temperamento de pais, mas uma nova atmosfera tomará conta, também, da casa.

Fazendo memória da realidade de filho que se tornou pai, sabemos que enfrentaremos os mesmos problemas e preocupações que viveram nossos genitores no passado. Entretanto, sem nos deter aos erros vividos, estaremos juntos trocando experiências e assumindo novos posicionamentos face às dificuldades que surgirão no desejo de minimizá-los.
Ainda que não saibamos lidar com tamanha responsabilidade, aceitamos o báculo da nossa igreja doméstica para iniciar a mesma jornada que há milhares de anos foi, também, confiada a um profeta, incumbido-lhe a missão de conduzir seu povo à terra prometida.

Confiante que Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos, peçamos a Ele a graça de estarmos atentos aos Seus ensinamentos a fim de alcançarmos o objetivo de educar nossas crianças sob a verdade da Igreja, conforme havíamos prometido no ato da celebração do matrimônio.

Um abraço,

Dado Moura


A dificuldade da reaproximação

abril 23, 2007

ilhas.jpgÉ verdade que somente nos desentendemos com aqueles que realmente convivemos

Ninguém gostaria de viver tendo apenas uma pessoa como amiga, pois, sabemos que quanto maior o nosso círculo de amizades, maiores serão as oportunidades do aprendizado a partir da vivência com cada um deles. Às vezes, preferiríamos viver numa ilha, isolados de tudo e de todos, especialmente, quando experimentamos as asperezas dos desentendimentos, comuns e pertinentes, em nossas amizades.
Quem se abre aos relacionamentos deverá estar sempre disposto a resgatar a saúde do convívio, mesmo quando inúmeras situações indiquem como válvula de escape, a facilidade da fuga. leia mais


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 2.090 other followers