Assim são os idosos, pessoas que trazem impregnado nelas o testemunho de uma geração devido ao acúmulo dos anos vividos. Para eles, hoje, o tempo não tem a mesma importância de outrora e, se ainda usam o relógio de pulso é apenas como um acessório. Com a idade avançada, os passos se tornam mais lentos e os sentidos debilitados, alguns ainda mantêm a lucidez suficiente para contar suas repetidas histórias, as quais parecem ter importância, sobretudo, para os netinhos.
Pessoas – que merecem atenção e respeito – são discriminadas pela sociedade por considerá-las fora de um padrão estipulado como ideal. Aliás, convencionou-se que uma pessoa é idosa aos 65 anos de idade. Sabemos que muitas delas ainda têm condições de contribuir em muito com a mesma sociedade que as discrimina e descarta. Entretanto, muitas vezes, essa convenção ditada pelo meio social traz para a pessoa mais velha a sensação de que ela é um estorvo, incapaz de produzir ou oferecer alguma coisa útil.
A cultura imposta pela sociedade a respeito do idoso, gradativamente, é aplicada dentro de muitos lares. Infelizmente, em algumas famílias o comentário que se faz a respeito do mais velho é o comparando a um traste, alguém que somente dá trabalho, uma pessoa lerda e caduca ou cheia de doenças. Esquecem que aquele que agora tem a pele frouxa, sensível e uma visão fraca, em outros tempos, dedicou muito de sua vida no cuidado deles, quando eram bebês indefesos, os quais hoje deveriam retribuir com os mesmos gestos de carinho e respeito.
Sabemos que, a cada novo dia, os anos de vida se tornam mais pesados – tanto para os mais novos quanto aos mais velhos. Para estes, em especial, as tarefas mais simples do dia-a-dia se tornam cada vez mais difíceis, obrigando-os a se tornarem dependentes e merecedores dos mesmos cuidados que se aplicam às crianças.
Independentemente da nacionalidade, raça, cor ou condições financeiras, a natureza nos força a trilhar os mesmos caminhos percorridos por aqueles que nos antecedem. Se não houver a valorização dos méritos das pessoas mais velhas de nossa parte, nossos filhos estarão crescendo e sendo formados sob os mesmos conceitos, aos quais provavelmente nós é que seremos submetidos em alguns anos. Lembremos que podemos ser tratados pelos nossos jovens da mesma maneira que estamos ensinando-os a tratar os seus idosos.
Aqueles que souberem aproveitar do convívio com os mais velhos terão muito a aprender com seus conselhos. Pois estes, apesar de terem as forças tragadas pelos anos, vão continuar nos ensinando com a atitude humilde de permitir que sejam guiados ou até mesmo ajudados na sua higiene pessoal.
Com a riqueza acumulada ao longo dos anos, a presença dos mais velhos traz para os mais novos o tesouro daqueles que aprenderam a ver o mundo com os olhos do coração. Ainda que não tenham mais o mesmo vigor destes, nossos velhos detêm o conhecimento e a sabedoria que não se aprendem em livros e estão sempre dispostos a partilhar tal riqueza.
Se não podemos mudar o conceito do mundo a respeito dos idosos, muito podemos fazer no nosso universo familiar. O respeito começa em casa.








Setembro 26, 2007 às 10:53
Ei,Dado!Que bom que hoje,eu o encontrei!! Quando posso procuro seus Artigos.Obrigada por todos eles e que calam bem lá no fundo diante de tanta orientação tão simples de se entender.Graças a Deus temos,o que precisamos no mundo da Internet para vivermos melhor e usá-la com carinho e muito mais,quando se propaga o Santo Nome de Deus e que,faça desse mundo para nós,uma alegria diária para nossos espíritos sedentos de amor,de fé,esperança e ter caridade com o próximo em todos os sentidos.Beijos,caro amigo e necessário às nossas vidas.
Setembro 24, 2007 às 12:47
Lindo texto!
parabéns!
Setembro 21, 2007 às 10:42
Olá, Dado!
Concordo em gênero número e grau com o que você escreveu.
Acompanhei bem de perto a “velhice” de três dos meus quatro avós. E é impressionante constatar que nós, os “jovens” de hoje, muitas vezes não nos damos conta de que seremos os idosos de amanhã!
Que Deus te abençoe hoje e sempre!
Setembro 20, 2007 às 1:44
Dado, vim trazer um beijo e minha admiração pelo seu blog.
Um beijão e keep up with the good work:-)
Gosto muito do que escreve. Muito pertinente. E um olhar muito bacana sobre os assuntos
Meg
Setembro 19, 2007 às 13:38
Emocionante, sensível e verdadeiro! Convivi com meu pai e senti toda a evolução do mal de Auzheimer, essa doença que considero uma das mais, senão a mais dilacerante e humilhante de todas. Mas mesmo em seus momentos de total alienação, aprendi a respeitá-lo e amá-lo ainda mais, observando como ele lutava para continuar ser o mesmo amoroso, experiente, e preocupado com todos nós, com o nosso bem estar. Minha mãe, com 75 anos e mesmo que algumas vezes nos indisponhamos, talvez pela diferente maneira de vermos a vida, vejo nela exemplo de humildade, respeito e amor que sempre esteve presente desde minha tenra idade. Aprendi e continuo aprendendo com “meus maravilhosos velhinhos” e espero que ao seguir seus exemplos de vida, possa, na mesma intensidade, transferir os conhecimentos obtidos a meus filhos e neto. Em casa somos 4 gerações vivenciando o cotidiano: minha mãe, eu, meus filhos e meu neto e tenho absoluta certeza de que, ao contrário disso ser um “estorvo”, é uma lição de vida. O coração não envelhece, não perde a capacidade de amar, amplia sua doação, seja em palavras ou atos. Resta a nós sabermos identificar essas sensações, sorvê-las e vivenciá-las, sem medo ou mesmo vergonha de demonstrar nossos sentimos perante uma sociedade tão preconceituosa.
Deus nos abençoe a todos
Setembro 19, 2007 às 9:17
Dado,seu artigo está Muito bem escrito e elaborado!
O que mais me marcou foi quando vc disse que “a presença dos mais velhos traz para os mais novos o tesouro daqueles que aprenderam a ver o mundo com os olhos do coração”!
Deus abençõe esse dom de escrever!
Fernanda Soares