Tenho medo do casamento

Junho 30, 2008

Haverá momentos em que precisaremos assumir um compromisso mais sério com alguém, e o nosso dilema será saber se estamos fazendo a melhor escolha. Certamente, essa hesitação seria menor se fosse possível adivinhar as conseqüências de nossas opções; o que é praticamente impossível. Fica a nosso critério apenas tentar descobrir os procedimentos para melhor alcançar nossos propósitos.

Os bons resultados de um trabalho são alcançados por meio de boas ferramentas e de um plano de ação. Para alguém que deseja roçar um campo, mesmo possuindo os equipamentos necessários, ainda assim, poderá ser surpreendido com chuvas ou outras interferências, as quais não dependem de sua vontade. Da mesma maneira, na vida conjugal, por melhor que sejam os nossos projetos, precisamos estar cientes de que também estaremos sujeitos a certas situações que não foram previstas, mas que poderão ser solucionadas com o empenho de ambos.

Para quem vive o namoro há algum tempo, por vários momentos já deve ter conversado sobre o futuro do relacionamento. É no amadurecimento e no tempo de convívio que os casais obterão subsídios suficientes para acolher a proposta de uma vida matrimonial. Assumir a vida conjugal será sempre uma tarefa desafiadora, pois independentemente do estado social ou financeiro, este compromisso une as pessoas num único sentimento. É pensando nisso que, talvez, a maioria das pessoas hesite diante de uma proposta de firmarem para sempre seu relacionamento.

O medo de enfrentar o “desconhecido”, as histórias de crises conjugais e o peso das responsabilidades somados às estatísticas, que apontam o crescimento de casais divorciados, podem realmente intimidar os nubentes. Isso não significa que as causas que justificaram os insucessos do casamento de outras pessoas estarão também condenando à falência o propósito do casal de enamorados.

O amor exige, de todos, disposição e coragem para romper com suas próprias limitações. Acreditar que o casal está isento de imperfeições ou que por toda a vida conjugal viverá, a cada segundo, em perfeita harmonia sem empreender esforço algum, pode ser um grande engano. Sabemos que, ao longo do convívio, nem sempre os elaborados planos vão dar certo; mas a decisão comum do casal em viver seus propósitos, a fim de alcançar seus objetivos, os fará assumir uma nova atitude diante de cada novo problema.

Decidir-se pelo casamento, entendendo que o relacionamento pode ser diferente, é o que diferenciará nossas opções e nos dará forças para lutar pela felicidade conjugal ao lado da pessoa que escolhemos para partilhar nossa vida.

Um abraço, sem medo de ser feliz.


A igreja missionária e as tecnologias de última geração

Junho 19, 2008

A Igreja, onde estiver, é chamada a viver seu compromisso missionário de ensinar a arte de viver, apresentar as respostas que nos direciona à vida e à felicidade através do seu testemunho vivido no caminho que é Jesus! Ele, que ensinou a seus discípulos a viverem a prática do amor, pede para todos os homens repetir seus atos. Evangelizar significa mostrar este caminho.

Falar de amor e felicidade – para um mundo cercado de diferenças sociais gigantescas, no qual as maiores riquezas se concentram em poucos países –, pode parecer impossível.

Como cultivar a pequena e frágil semente do amor, que poderá suprir o desejo do coração do homem, em terras áridas e ressequidas pelo egoísmo? Tornar o terreno fértil para o cultivo dessa semente, talvez, seja o primeiro passo para saciar o mundo com o mesmo “fruto” que saciou as necessidades da mulher adúltera (cf. Jo 8, 1-11), do cego Bartimeu (cf. Mc 10, 64-52), dos leprosos (cf. Lc 17, 11-19), ou da mulher que se alimentava das mesmas migalhas que eram lançadas aos cães (cf. Mc 7, 24-30)

A ciência tecnológica muito tem realizado no sentido de garantir a sustentabilidade no mundo, facilitando a vida do homem moderno. Modificações genéticas transformam sementes, deixando-as mais resistentes às pragas naturais, entre outras. No entanto, o “fruto” de que o mundo mais carece não se obterá simplesmente por meio de experiências transgênicas realizadas em laboratórios.

As facilidades tecnológicas estão também a serviço da evangelização. Falar de Jesus, na atualidade, implica alcançar aqueles que precisam conhecê-Lo por intermédio dos mesmos meios dos quais estes se servem.

Longe de apresentar uma evangelização “encapsulada” em refinada tecnologia, a Igreja busca atrair aqueles que por inúmeras razões se distanciaram de seu seio maternal. Conseqüentemente, este afastamento os conduz ao esvaziamento do conhecimento da verdade revelada por Jesus Cristo.

O anúncio do Evangelho aconteceu entre apenas doze homens que, pouco a pouco, espalharam para outras comunidades os efeitos transformadores da conversão – contidos na novidade revelada.

A missão determinada a cada batizado em particular é a de atingir os confins da terra na comunicação da Boa Nova. Como missionários, sabemos dos atritos da convivência com os não-evangelizados, os quais, muitas vezes, na ânsia de uma vida melhor ou de uma resposta aos seus questionamentos, procuram se encontrar numa “religião” sob medida ou numa frágil autenticidade pessoal; fato que se repete no mundo contemporâneo tal como aconteceu no primeiro anúncio.

Hoje, levar a evangelização até os confins da terra pode parecer um desafio intransponível. Entretanto, sem a ação do Espírito Santo – que tudo faz – presente na vida da Igreja militante, mesmo os mais avançados meios tecnológicos nada poderão realizar em favor da evangelização.

Artigo produzido para a Revista Paróquias com base no texto da Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi” de Papa Paulo VI

Um abraço


Não tenho namorado

Junho 8, 2008

Quem de nós não se lembra da turma do colégio, com a qual brincávamos e partilhávamos muitas horas de alegria e descontração, no cinema, na danceteria, festinhas, entre outras atividades. Com o passar do tempo, muitos desses amigos, pouco a pouco, foram encontrando alguém e começaram a namorar. Após alguns anos, aquela galera dos animados finais de semana se reduziu em apenas alguns solteiros. E, por fim, aquela pessoa que era a sua melhor companhia, de repente, também anunciou que estava apaixonada por alguém. Parecia que todo o mundo tinha encontrado a “cara-metade”…

Mesmo sem querer admitir, quem não teve a mesma sorte, muitas vezes, sentia-se como um “patinho feio”, sobretudo nas ocasiões em que o relacionamento vivido não foi tão duradouro como gostaria.
A partir dessa realidade muitos questionamentos começam a aparecer; e tudo é motivo para acreditar que aquilo que o faz se sentir um “solteirão” ou “solteirona” é a idade, a obesidade, a beleza que não é igual à de fulano (a), a condição social e financeira, entre outras coisas.

Na juventude, o que importava era namorar o (a) mais bonito (a) da escola. Naquela época, isso significava o “prêmio” diante dos amigos.
Para aqueles que se deixam envolver por um conceito desvirtuado sobre seus relacionamentos, mal podem entender o que realmente buscam viver com a participação de uma pessoa em sua vida. E num sentimento egoístico, facilmente enquadram as pessoas, que dela se aproximam, segundo os conceitos de suas paixões.
Aquilo que foi importante para um rapaz, ou uma moça, ontem, pode não ter significado algum, no dia seguinte.

Hoje, aprendemos a ver o namoro por meio de uma faceta diferente dos valores sustentados por uma cultura que, facilmente, afeta a percepção dos menos avisados.
Entendemos que a presença de um amor em nossas vidas contribui para que as sementes de nossas qualidades e virtudes floresçam. Isso significa que a participação da namorada na vida do namorado deverá provocar nele o desejo de ser melhor a cada dia, e vice-versa.

Encontrar alguém que corresponda às nossas expectativas, muitas vezes, exigirá paciência para ajudá-lo a perceber aquilo que já entendemos e esperamos a respeito da vivência do namoro. E em outras ocasiões será necessário que baixemos as possíveis e demasiadas exigências de uma perfeição, a qual também não possuímos, mas que aplicamos aos outros.

Para aqueles que celebram o Dia dos Namorados parabenizando os amigos, talvez, se achem incapazes de viver um namoro. Entretanto, buscar uma pessoa somente para ter companhia, sabendo que esta não manifesta interesse em estabelecer valores comuns, além de não trazer a realização para o relacionamento como deveria ser, também vai impedir que o seu verdadeiro pretendente se apresente.

Um abraço

Ouça comentários adicionais deste e outros artigos no podcast Relacionamentos em www.dadomoura.mypodcast.com


Você tem medo de quê?

Maio 28, 2008

Todos nós sentimos algum tipo de medo; sentimento, o qual, muitas vezes parece ser maior do que aquilo que poderíamos suportar. Temos medo do desconhecido, da ameaça de dor e de outras coisas que as pessoas possam nos induzir a sentir a fim de obter o controle sobre nossas emoções.

No estresse provocado pelo medo o coração acelera, as mãos suam, e o pavor é estampado em nossa face. Embora pareça incontrolável, precisamos aprender a vencer um fantasma que se aproxima de nós camuflados em nossas inseguranças, más experiências e ansiedades.

Alguns adultos, cansados da labuta do dia, intimidam suas crianças com histórias fantasmagóricas, as quais, no imaginário infantil, ganham vida e as aterrorizam. Assim, elas facilmente transformam as sombras da noite em terríveis monstros; os passos de um animal no quintal em pegadas de lobisomem; e o quarto, na privação da luz, em calabouços. Muitos pais aplicam dentro de casa os mesmos procedimentos comuns de terroristas e torturadores, isto é, para obter o controle da situação apelam para o controle das emoções de seus filhos.

De crianças para adultos o medo esta sempre a nos perseguir, seja na pessoa de um dentista, professor, médico ou até mesmo na figura do papai Noel.
Muitas vezes, nosso medo está também associado a uma experiência contraria daquilo que esperávamos ou que nos foi apresentada. Em postos de saúdes ouvimos as mães dizer para seus filhos que a injeção não vai doer nada. Automaticamente, mais tarde, quando esta criança entrar numa farmácia ou ambulatório e sentir o cheiro peculiar do ambiente, encontrar pessoas vestidas de branco ou ver uma agulha de seringa, certamente vai fazer referencia a decepção vivida na dor da agulhada. A reação não será outra a não ser de tentar fugir e aprontar um berreiro no local. (Aliás, era essa a minha reação quando precisei tomar 22 injeções quando criança, e isso há muito tempo…)
Antes, melhor seria se falasse a verdade sobre a breve picada da agulha, confortando a criança com seu amparo, fazendo-a se sentir protegida mesmo depois da desagradável picada.

Prisioneiro de nossos próprios pensamentos, o medo nos paralisa e nos faz reféns. Vencê-lo não é uma tarefa fácil, a não ser que mudemos a maneira de pensar a respeito daquilo que parece ser o problema. Apesar da importância em nossas vidas, muitos relacionamentos se tornam difíceis especialmente se não conseguimos desassociar a imagem da pessoa com quem nos relacionamos com aquela que nos fez sofrer.

Não é raro perceber, mulheres que vêem no marido a figura repressora daquele homem, que por inúmeros motivos - inclusive por falta de instrução - reprimiu a liberdade fazendo todo tipo de ameaças, acreditando que desse modo obteria o controle. Outras pessoas, vendo as experiências daquelas que sofreram, assumem para suas vidas tal realidade e temendo situação semelhante, resistem a abrir-se ao novo relacionamento.
Hoje, essas pessoas vivem às sombras de suas próprias inseguranças, temendo ousar nos primeiros passos para a mudança.

A maneira que temos para controlar o sentimento de medo pode estar na maneira como reagimos a ele. Conhecendo a nossa historia ou de quem sofre, podemos melhorar a qualidade do relacionamento. Quando se entende melhor as coisas, a sombra de um galho refletido na janela não parecerá mais como as garras de um monstro que ronda o nosso quarto.

Acesse Podcast Relacionamento para ouvir este e outros comentários.

Um abraço


Diário não é coisa de menina

Maio 21, 2008

Com os avanços da Internet, muitas ferramentas têm feito parte do dia-a-dia dos usuários dessa mídia; e o blog é uma dessas utilidades. Até pouco tempo, era comum dizer que escrever em um diário era coisa de menina, de adolescente. Entretanto, percebemos, cada vez mais, o aumento da prática de uma atividade que contesta os mais maldosos pensamentos.

Manter um blog é, na maioria das vezes, escrever um diário, cujo conteúdo ninguém tem interesse em guardar “a sete-chaves”. Fazer um trabalho e não ser reconhecido por tê-lo feito, certamente nos frustra. Assim, manter um blog e não ter leitores nos faz questionar sobre o que estamos fazendo de tão errado que ainda não conseguimos a notoriedade desejada.
Há uma multidão de leitores para cada tipo de blog apresentado na grande rede: blogs de piadas, notícias, comentários, reflexões e também aqueles que ainda mantêm as características do antigo diário, com data e comentários dos acontecimentos do dia, entre outros.

Já comentamos aqui sobre a atenção necessária para aqueles que se propõem a escrever para o mundo. Se acreditamos ter um público interessado em todo tipo de informação prestada pelos blogueiros, precisamos ter em mente para quem queremos direcionar os “nossos serviços” e procurar fidelizá-los ao nosso blog. Uma maneira de fazer com que isso aconteça é por meio da regularidade das postagens, além das respostas às possíveis críticas e sugestões que podem nos enviar. É um trabalho que exige dedicação, mas vale a pena.

Um abraço e até o próximo artigo

Dado Moura